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Habitantes das ilhas Malvinas lamentam morte de Thatcher

Em 1982, a então primeira-ministra britânica enviou força-tarefa para recuperar arquipélago, em operação que ela considerou um dos triunfos de seu governo

Por Da Redação - 8 abr 2013, 15h39

O chefe da Assembleia Legislativa das Ilhas Malvinas (Falkland para os britânicos), Mike Summers, disse nesta segunda-feira que a morte de Margaret Thatcher representa um dia de tristeza para os moradores do arquipélago, que sempre a reverenciaram por ter libertado o território após a invasão de forças argentinas em 1982. À época, Thatcher enviou uma força-tarefa para recuperar as ilhas, em uma operação que ela considerou um dos triunfos de seu governo.

“Não há absolutamente nenhuma dúvida de que Thatcher teve um sentimento especial pelas ilhas. Ela liderou uma retomada muito difícil, ficou feliz por ter restaurado a liberdade para seus habitantes, e as Falkland sempre estiveram no seu coração”, afirmou Mike Summers. “Ela é uma pessoa muito reverenciada nas Falkland por liderar o nosso retorno à liberdade em 1982, e este é um dia de grande tristeza para os habitantes das ilhas.”

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Bandeiras foram hasteadas a meio mastro nas Malvinas assim que se soube da morte de Thatcher nesta segunda-feira, e uma homenagem maior está sendo preparada em sua memória, segundo Summers. Ele, que se encontrou várias vezes com Thatcher no passado, acrescentou: “Ela era uma mulher muito forte e uma política muito forte, clara e decisiva.”

Tim Miller, de 60 anos, dono de uma loja de jardinagem e de venda de produtos patrióticos, disse que se lembra claramente do conflito de 1982. “Para mim, Thatcher foi para as Ilhas Malvinas o que Winston Churchill foi para a Grã-Bretanha em 1940. Era a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa, que fez a coisa certa”, afirmou Miller.

Argentina – Desde o ano passado, a atual presidente da Argentina, Cristina Kirchner, intensificou sua retórica contra a Grã-Bretanha, insistindo para que negocie a soberania das ilhas – algo que Londres se recusa a fazer, a não ser que os moradores solicitem. Em um referendo em março deste ano, porém, uma esmagadora maioria dos moradores das Malvinas votou para o arquipélago continuar sob o controle britânico.

Nesse contexto, a reação de alguns argentinos sobre a figura de Thatcher foi crítica. “Ela foi alguém que causou um grande dano não apenas domesticamente como internacionalmente. Sempre me lembrarei dela como uma líder que não trouxe contribuições à paz mundial. Ela será lembrada como uma líder que não trouxe nada positivo à humanidade”, disse Ernesto Alberto Alonso, presidente da comissão nacional argentina de ex-combatentes das Malvinas.

Outros, porém, expressaram sua gratidão pela vitória de Thatcher sobre os generais argentinos em 1982. “Obrigado, Maggie Thatcher, por ter catalisado o retorno da democracia na Argentina”, escreveu Andres Wolberg-Stok, que cobriu a guerra para o Buenos Aires Herald há 31 anos, em seu perfil no Facebook.

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Com a vitória nas Falklands, a premiê se fortaleceu politicamente e foi reeleita para chefiar o governo em 1993. No mesmo ano, Raúl Alfonsín foi o primeiro civil a assumir o poder na Argentina depois do período militar.

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Guerra – Cerca de 650 argentinos e 255 britânicos morreram na guerra de 1982, que começou com a invasão argentina em 2 de abril e terminou com a recaptura de Port Stanley por tropas britânicas em 14 de junho. Mas, segundo documentos divulgados pelo jornal britânico The Guardian em março deste ano, a Grã-Bretanha considerou não lutar pelas Malvinas e chegou até mesmo a pensar em indenizar os habitantes para que deixassem as ilhas.

Segundo a reportagem, alguns dos conselheiros mais próximos da então primeira-ministra britânica achavam que não valia a pena entrar em uma guerra pelas Malvinas. Depois da invasão argentina, em 1982, os assessores avaliaram que, em vez de mandar tropas para o arquipélago, era melhor indenizar os habitantes da ilha, para que fossem morar em outro lugar.

Uma das propostas, apresentada pelo chefe de gabinete David Wolfson, era pagar 100.000 dólares por família e garantir benefícios vitalícios para que morassem na Grã-Bretanha ou fossem para a Austrália ou Nova Zelândia, com cidadania. O principal assessor da área econômica, Alan Walters, teve ideia semelhante, mas sua proposta era que a Argentina compensasse os kelpers.

O chanceler Geoffrey Howe ponderou que a proposta poderia ser interpretada como uma traição. O secretário particular da Dama de Ferro, Michael Scholar, disse que ela já havia considerado propostas como estas, mas concluiu que colocá-las em prática “significaria o fim de seu governo”.

Os documentos mostram que houve fortes divisões na cúpula do governo britânico sobre o tema. “Os papéis mostram que, ao contrário do espírito patriótico da época, as divisões sobre as Falklands chegaram ao núcleo de Downing Street”, disse o jornal. A vitória no confronto acabou fortalecendo Thatcher, que foi reeleita para chefiar a Grã-Bretanha em 1983.

Confira os principais momentos da vida pessoal e política de Margaret Thatcher:

(Com agência Reuters)

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