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H1N1: A gripe que vazou de um laboratório na União Soviética

Alvo de teorias da conspiração, Covid-19 não saiu de laboratórios. Mas, em 1977, um acidente levou à pandemia de H1N1

Por Ernesto Neves
Atualizado em 30 abr 2020, 15h19 - Publicado em 30 abr 2020, 14h15

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, em janeiro, sobram teorias conspiratórias sobre a suposta criação do patógeno por laboratórios chineses. Essa hipótese, no entanto, é totalmente refutada pela comunidade científica.

Segundo comprovou um painel estudiosos da Austrália, Estados Unidos e Inglaterra, a estrutura do Sars-Covid-2 tem características bioquímicas que não poderiam ter sido elaboradas pelo homem.

Segundo o estudo, a evolução que permitiu ao coronavírus se conectar com seus hospedeiros se deve à seleção natural. Esse processo faz com que a espécie passe por mutações espontâneas, sobrevivendo as versões que melhor se adaptem ao ambiente.

Os pesquisadores mostraram ainda que o vírus desenvolveu-se, muito provavelmente, de hospedeiros de outras espécies, como o morcego e o pangolim.

No entanto, tudo indica que outra epidemia de gripe, quatro décadas atrás, teve origem num centro de pesquisas.

Em janeiro de 1977, o vírus H1N1 espalhou-se da Rússia para a China e, em seguida, pelo mundo. O episódio ficou conhecido como “Gripe Russa” .

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Extensa pesquisa feita pelo “The New England Journal of Medicine”, uma das publicações científicas mais prestigiadas na área de medicina, mostrou que o patógeno de 1977 era idêntico ao de outra epidemia, a de 1957. 

Nos vinte anos que separam os dois surtos, o H1N1 ficou extinto. E quando reapareceu, era exatamente igual ao dos anos 1950. Isso é extremamente incomum.

Quando estão em circulação, os vírus sofrem mutações por onde passam, que vão lhe deixando marcas no material genético. Já os que vazam de laboratório são facilmente identificáveis, já que guardam enorme semelhança com a linhagem original. 

A “Gripe Russa” acabou por afetar principalmente os jovens de então, que não tinham anticorpos contra a doença. A mortalidade, porém, manteve-se baixa.

Como laboratórios de todo o planeta tinham amostras congeladas desde o surto de 1957, foi possível verificar  e rastrear o ponto de onde ele escapou, a antiga União Soviética.

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A ditadura comunista, lógico, negou o vazamento. Mas o fato é que, àquela altura, o império comunista já estava em decadência. Suas instalações científicas não atendiam às regras mínimas de segurança, como ficaria claro durante a agonia econômica que se estendeu por toda a década de oitenta. E resultaria em catástrofes como o acidente nuclear de Chernobil, na Ucrânia, em 1986. 

Depois de 1977, o H1N1 reapareceu anualmente sem provocar grandes estragos. Mas, em 2009, voltou a assustar. Naquele ano, provocou nova pandemia, desta vez chamada de “Gripe Suína”. 

Cartaz soviético em homenagem aos cientistas (reprodução/Reprodução)

 

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