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Guru ideológico de Boris Johnson leva número 2 do governo a renunciar

Sajid Javid abandonou o cargo de ministro das Finanças após se recusar a acatar pedido do premiê para demitir os principais assessores de sua pasta

Por Da Redação - 13 fev 2020, 16h23

O ministro das Finanças do Reino Unido, Sajid Javid, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira, 13, de forma inesperada. A decisão foi levada a público após dias de rumores sobre as crescentes tensões entre Javid e Dominic Cummings, o conselheiro especial do primeiro-ministro, Boris Johnson.

O ministro das Finanças é considerado o segundo posto mais importante do governo após o premiê. Imediatamente depois da renúncia, o governo divulgou o nome do substituto de ,Javid Rishi Sunak. Desde julho de 2019, Sunak exercia o cargo de secretário-chefe do Tesouro, o que corresponde, na prática, ao número dois do Ministério das Finanças.

Javid deixa a função no momento em que o premiê conservador realiza uma reestruturação de seu gabinete. O agora ex-ministro vinha divergindo das mudanças, visto que atingia a autonomia de sua pasta.

Segundo uma fonte ligada a Javid e citada em matéria da agência britânica de notícias Press Association, Johnson determinou que o então ministro demitisse todos os principais assessores da pasta para substituí-los por uma outra equipe a ser selecionada parcialmente pelo premiê. Antes de apresentar sua renúncia, Javid teria dito que “nenhum ministro que se preze aceitaria tais condições”.

A saída foi anunciada após dias de rumores sobre as crescentes tensões entre Javid e o conselheiro especial de Johnson, Dominic Cummings, sobre questões políticas como restrições de gastos governamentais. John McDonnel, um dos líderes da oposição Trabalhista, descreveu o episódio como a prova de que Cummings “ganhou a batalha para tomar controle absoluto” do Tesouro britânico.

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Dominic Cummings, consultor especial do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, é visto do lado de fora da casa oficial do premier, em Downing Street nº10, em Londres, Inglaterra — 30/01/2020 Simon Dawson/Reuters

Polêmico e apartidário, o misterioso Cummings é conhecido por seu posicionamento anti-establishment e regente da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia durante o referendo de 2016.

Em resposta aos rumores, um porta-voz do governo disse ao jornal britânico The Independent que essa equipe de assessores “aconselhará conjuntamente o premiê e o ministro enquanto trabalham para melhorar a economia em todo o Reino Unido“.

Renovação de governo

Nesta quinta, o premiê divulgou a primeira reestruturação do governo desde que o Partido Conservador ganhou as eleições gerais antecipadas de dezembro de 2019 com ampla maioria, elegendo 365 dos 650 membros da Câmara dos Comuns do Parlamento britânico.

Além de secretários de Estado de perfil mais baixo, Johnson substituiu o responsável para a Irlanda do Norte, Julian Smith. O inesperado movimento se deu poucas semanas após conseguir reinstaurar as instituições semiautônomas da província, depois de mais de três anos de bloqueio.

Os demais pilares do governo continuam em seus postos: Dominic Raab nas Relações Exteriores, Priti Patel no Interior e Michael Gove como ministro do gabinete de Johnson.

(Com AFP)

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