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Guerrilheira holandesa é incluída em negociação das Farc

Tanja Nijmeijer entrou para o grupo terrorista há dez anos. Sua inclusão nas negociações, que devem ter início esta semana, foi alvo de críticas do governo

Por Da Redação 15 out 2012, 20h07

A inclusão de última hora de uma integrante das Farc ao grupo que participará das conversas de paz entre a guerrilha e o governo colombiano aumentou as tensões, às vésperas do início das negociações. A holandesa Tanja Nijmeijer, que há dez anos passou a integrar o grupo terrorista, foi incluída no grupo para servir como tradutora. No entanto, o fato de ser uma estrangeira incomodou o governo.

A delegação do governo que deve instalar formalmente um processo de paz com a guerrilha teve de adiar a viagem a Oslo, na Noruega, devido às más condições meteorológicas que prejudicou as operações no aeroporto El Dorado de Bogotá. O início das conversações está previsto para quarta-feira.

Segundo a imprensa colombiana, Tanja estaria em Havana, Cuba, de onde viajaria a Europa, acompanhada de outros guerrilheiros.

A holandesa de 34 anos, que atende pelos apelidos de “Eillen” e “Alexandra” chegou à Colômbia em 1998 para ensinar inglês em Pereira, no leste do país. Alguns anos depois, passou a fazer parte da milícia urbana das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em Bogotá e tornou-se guerrilheira em 2002.

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Em 2007, depois de um bombardeio a um dos acampamentos da guerrilha, um dos diários da holandesa foi encontrado. Nele, ela fazia críticas aos privilégios dos comandantes e dizia estar “cansada” das Farc. Após a divulgação do diário, ela foi castigada e passou a cuidar da guarda pessoal de Víctor Julio Suáres, conhecido como “Mono Jojoy”, morto em setembro de 2010.

Em dezembro do mesmo ano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que um júri federal de investigação em Washington havia acusado a holandesa e outros 17 guerrilheiros pela participação no sequestro de três norte-americanos em 2003.

Em várias ocasiões, a família de Tanja viajou à Colômbia para tentar fazer com que ela deixasse o grupo terrorista, sem sucesso. Em um vídeo divulgado pela Radio Netherlands em novembro do ano passado, a holandesa disse: “Sou uma guerrilheira das Farc e seguirei sendo guerrilheira até vencer ou até morrer. Não há como voltar atrás nisso. Tenho orgulho de ser guerrilheira”.

Anistia – O norueguês Jan Egeland, que foi enviado especial das Nações Unidas entre 1999 e 2002 – período em que fracassou a tentativa de uma negociação de paz com as Farc encaminhada pelo então presidente Andrés Pastrana – fez um alerta nesta segunda-feira à Colômbia: “(O país) não pode apoiar um processos de paz que anistie delitos atrozes, delitos de lesa humanidade e crimes de guerra”, disse o atual diretor para a Europa da organização Human Rights Watch.

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(Com agência EFE)

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