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Guantánamo, o alto preço de se fazer justiça

Jairo Mejía.

Base Naval de Guantánamo, 24 jan (EFE).- A penitenciária de segurança máxima de Guantánamo é o foco da guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo islâmico, um lugar que fica longe da visão de muita gente e cujo preço de manutenção é alto econômica e politicamente.

Para manter seus 171 presos em território cubano, os EUA gastam cerca de US$ 800 mil por ano por preso, aos quais é preciso somar o custo logístico de manter uma base militar americana em território completamente isolado por terra.

Caminhões, material de construção e até a alface fresca do único McDonalds em Guantánamo são levados em navios ou aeronaves, com o consequente custo para manter uma base que há uma década começou a receber os primeiros presos da guerra dos EUA contra a rede terrorista Al Qaeda e na qual foram investidos desde então US$ 500 milhões.

Segundo fontes do Pentágono consultadas pela Agência Efe, é difícil detalhar a quantia exata do custo de manutenção da base, com cerca de 10 mil militares e suas famílias, mais um grande número de terceirizados filipinos e jamaicanos, em parte porque algumas verbas utilizadas não são divulgadas.

A complexidade logística e a despesa aumentam com a realização das ‘comissões militares’ em ‘Camp Justice’, um complexo de edifícios pré-fabricados que nos últimos dias 17 e 18 de janeiro acolheu pela segunda vez um processo militar contra o saudita Abd al Rahim al Nashiri, acusado de planejar o ataque ao destróier USS Cole em 2000, no qual morreram 17 oficiais americanos.

O juiz civil de Nashiri, Richard Kammen, definiu a penitenciária como ‘um monumento ao esbanjamento’ ao se queixar durante a audiência do elevado custo de mobilizar toda uma equipe de defesa, promotoria, analistas, oficiais, observadores, parentes das vítimas e jornalistas a este local do sudeste de Cuba.

À prisão mais cara do mundo se chega lentamente por uma estrada que atravessa uma zona residencial e que se adentra em uma paisagem de cacto e arbustos até desembocar em uma área montanhosa.

Sobre esses morros fica a prisão de segurança máxima de Guantánamo, com seu interminável perímetro de cercas, espirais de arame e torres de vigilância.

Em seu interior há vários campos de prisioneiros e algumas organizações internacionais acreditam que guarda inúmeros segredos.

Mantê-los não é barato. Só nos campos 5 e 6, os mais cheios, há cerca de 900 guardas que em sua maioria recebem o salário correspondente a um soldado desdobrado em uma zona de guerra, muito superior ao de um oficial de prisões militares.

No Campo 6, dedicado aos presos de melhor comportamento, ficam 85% dos detentos, segundo disse à Efe o chefe do módulo, um militar que não traz seu nome na lapela e que também não quis divulgá-lo.

‘Isso pode dar uma ideia de como é o comportamento dos presos’, explica, embora afirme sem dar detalhes que podem ocorrer situações complicadas, visto que, entre outras causas, eles ‘têm acesso a notícias’, entre outras as da rede ‘Al Jazeera’ em inglês.

Durante a visita, o oficial explica atrás de um vidro opaco como os detentos – observados sem que eles saibam – compartilham em uma área comum uma aula de arte, na qual pintam, sempre com os tornozelos presos ao chão por correntes.

O centro penal para os menos comportados é o Campo 5, onde existem mais medidas de segurança e os réus, que rondam entre 20 e 30, ficam em celas planejadas para evitar que machuquem a si mesmos.

Esses réus, que são controlados a cada três minutos, só podem sair de suas celas para ver televisão ou ler jornais, presos ao chão quatro horas por semana com tempo variável para sair ao ar livre.

Questionado sobre se existem campos secretos na base, um dos responsáveis da prisão afirma em tom misterioso: ‘Todos os campos secretos são secretos’.

Mas o custo mais alto para o governo dos EUA pode ser a perda de confiança em sua capacidade para fazer justiça, como indicou a defesa de Nashiri, que qualificou as comissões militares como uma ‘fachada’ cheia de obstáculos que não existem em um tribunal federal.

Os promotores garantem que estes tribunais oferecem todas as garantias necessárias em processo contra ‘inimigos de guerra’, mas para grande parte dos réus que ficam em Guantánamo – de um grupo inicial de perto de 700 – não há provas claras de que tenham sido combatentes da Al Qaeda, enquanto passam seus dias isolados na base. EFE

jmr/mm