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Guaidó diz que ‘provavelmente’ aceitaria intervenção militar dos EUA

Após cassação de imunidade parlamentar, três deputados da oposição se refugiaram em embaixadas de Caracas

O líder da oposição da Venezuela, Juan Guaidó, disse nesta sexta-feira, 10, que está disposto a aceitar uma intervenção militar dos Estados Unidos para ajudar a resolver a situação de emergência política no país.

“Se os americanos propusessem uma intervenção militar, eu provavelmente aceitaria”, disse Guaidó em uma entrevista ao jornal italiano La Stampa.

O presidente do parlamento venezuelano já havia dito em entrevista que o Legislativo “provavelmente” estudaria a opção de uma intervenção militar dos Estados Unidos e que, “caso seja necessária”, inclusive a aprovaria.

Na semana passada, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou que seu governo está preparado, se necessário, para agir na Venezuela. A autoridade, contudo, afirmou que os Estados Unidos preferem uma saída pacífica para a crise.

O Brasil reiterou em diversas ocasiões que não apoiaria uma ação militar americana no país vizinho.

Refúgio em embaixadas

Na quinta-feira 9, três deputados venezuelanos buscaram refúgio em embaixadas estrangeiras em Caracas, depois que o governo de Nicolás Maduro fechou o cerco contra o parlamento da oposição.

O regime chavista prendeu o vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano, e anunciou a cassação da imunidade parlamentar de todos os deputados que se aliaram a Guaidó durante o levante militar da semana passada.

Para evitar sua prisão, o congressista Richard Blanco se refugiou na residência do embaixador da Argentina. Já os deputados Mariela Magallanes e Américo De Grazia estão na casa do embaixador da Itália.

Blanco é líder do partido Aliança Bravo Povo e os outros dois legisladores pertencem ao Causa Radical. Ambas as legendas fazem parte da aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD), que lidera a oposição contra Maduro.

“Não darei o gosto à narcoditadura para que me exiba como troféu e me use como refém, em troca de perdoar seus crimes contra a humanidade, violação de direitos humanos, corrupção, narcotráfico e terrorismo”, escreveu De Grazia no Twitter. “Sigo na luta e agradeço a acolhida da Itália.”

Ao todo, dez deputados foram acusados pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), da linha oficial, por crimes como traição à pátria e conspiração por se aliarem a Guaidó. Outros deputados também foram sujeitos a decisões judiciais mais leves.

O próprio Guaidó perdeu, em 2 de abril, sua imunidade, mas o governo de Maduro tem hesitado em prendê-lo.

Após o fracasso do golpe que levou Guaidó a recalibrar sua estratégia, Maduro exibiu um tom desafiador na noite de quarta-feira, assegurando que “as Forças Armadas estão coesas” em seu apoio.

“O comandante-chefe constitucional e legítimo das Forças Armadas (…) se chama Nicolás Maduro”, disse o presidente em um discurso televisionado.

A persistente crise política venezuelana ocorre em paralelo ao pior drama econômico e social da história recente da Venezuela, com hiperinflação, escassez crônica de alimentos e remédios e apagões. Desde 2015, 3 milhões de pessoas deixaram o país, segundo a ONU.

(Com Reuters e AFP)