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Guaidó convoca voluntários na Venezuela para entrada de ajuda humanitária

Filas se formaram em Los Cortijos, onde pessoas foram se inscrever para ajudar na entrada de ajuda vinda dos EUA

O autoproclamado presidente interino da VenezuelaJuan Guaidóconvocou neste sábado, 16,  milhares de voluntários para auxiliar a entrada de ajuda humanitária dos Estados Unidos ao país. A expectativa de Guaidó é que a ajuda, rejeitada por Nicolás Maduro, chegue no dia 23.

Reconhecido como presidente interino por 50 países, Guaidó reuniu os voluntários em Los Cortijos, a nordeste de Caracas, para receber instruções sobre sua colaboração no processo de entrada de remédios e alimentos no país.

“Não será apenas na fronteira que estará o movimento voluntário (brigadas de colaboradores). Em todas as cidades do país, haverá concentrações no dia 23 para aguardar a entrada da ajuda”, anunciou Guaidó durante um ato no qual juramentou milhares de voluntários.

Guaidó disse que cerca de 600 mil pessoas se inscreveram como voluntárias e que as caravanas deverão ir não apenas à cidade colombiana de Cúcuta, mas também à fronteira com o Brasil e ao ponto onde chegará a de Curaçao.

Medicamentos e alimentos estão armazenados desde 7 de fevereiro na cidade colombiana de Cúcuta, perto da ponte fronteiriça de Tienditas, bloqueada por militares venezuelanos com contêineres de carga, um navio-tanque e outros obstáculos.

Outro carregamento chegou neste sábado a Cúcuta vindo de Miami (EUA) e um enviada por Porto Rico chegou na sexta-feira. Os centros de coleta em Roraima, no Brasil, e no aeroporto de Curaçao estão em processo de instalação.

Guaidó, chefe do Congresso, de maioria opositora, redobrou o chamado aos militares para que permitam a entrada de ajuda: “Vocês têm sete dias para se colocarem ao lado da Constituição e fazerem a coisa cerca”, afirmou.

Maduro convocou nesta sexta-feira os militares a preparar um “plano especial de implementação” na fronteira com a Colômbia, ante o que denunciou como “planos de guerra” dos governos dos presidentes americano, Donald Trump, e colombiano, Iván Duque.

Disputa

A disputa entre Maduro e Guaidó se concentra atualmente na ajuda humanitária, uma questão delicada em um país que vive a pior crise de sua história moderna, com uma escassez de medicamentos e hiperinflação.

Cerca de 2,3 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2015, segundo a ONU, embora o presidente socialista afirme que são cerca de 600 mil que foram “enganados”.

“Eu me inscrevi porque a ajuda humanitária é urgente. Estamos fazendo mágica para conseguir remédios, e os que consigo não posso pagar. Um parente morreu por falta de antibióticos”, contou, na fila, Coromoto Crespo, 58.

Maduro classifica de “migalhas de comida podre e contaminada” a ajuda, e culpa pela escassez as sanções dos Estados Unidos, que congelaram contas e ativos venezuelanos, gerando danos à economia que Caracas avalia em 30 bilhões de dólares.

Guaidó reiterou neste sábado que “a ajuda humanitária entrará sim, ou sim” em 23 de fevereiro, quando completa um mês sua autoproclamação, após o Legislativo declarar “usurpador” Maduro considerar sua reeleição “fraudulenta”.