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Grupo de países europeus deixará de deportar imigrantes afegãos ilegais

Pedido foi feito por agência da ONU em meio a temores depois da tomada de Cabul pelo Talibã

Por Da Redação Atualizado em 17 ago 2021, 09h47 - Publicado em 17 ago 2021, 09h27

Um grupo de países europeus aceitou interromper temporariamente todas as deportações de cidadãos afegãos, cujos pedidos de asilo tinham sido negados, apontou nesta terça-feira, 17, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

O órgão, que fez o pedido na segunda-feira em meio a temores depois da tomada de Cabul pelo Talibã, indicou que o sentimento é de alívio com a decisão tomada por Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Suécia, Suíça, Dinamarca, Irlanda, Holanda e Noruega.

O apelo da Acnur para que as deportações fossem interrompidas foi baseado no aumento da insegurança causada pelo retorno dos talibãs ao poder, além da ameaça que isso representa para os direitos humanos da população.

“Tememos, em particular, pelas mulheres e crianças, e por aqueles que são identificados como colaboradores de governos anteriores, de organizações internacionais ou de forças militares de outros países”, disse a porta-voz da agência, Shabia Mantoo.

A situação também vem provocando rápida deterioração na situação humanitária no Afeganistão, com mais da metade da população do país precisando receber algum tipo de ajuda.

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De acordo com o Acnur, desde o início deste ano, mais de 550 mil cidadãos do país asiático sofreram deslocamento forçado, por causa do conflito e da insegurança que a maioria sente dentro das fronteiras do país.

Mantoo destacou que os “Estados têm responsabilidade legal e moral de permitir que os afegãos fujam em busca de segurança, além de não devolver os refugiados”.

Extremistas tomaram a maior parte da capital Cabul e o Palácio Presidencial neste domingo 15, e o presidente Ashraf Ghani deixou o Afeganistão. E embora as lideranças talibãs tenham assegurado que as mulheres conseguirão manter seu direito de trabalhar e ir à escola sob seu novo comando, muitos duvidaram das declarações.

A representante afegã para as Nações Unidas,  Aisha Khurram, afirmou que professores já se despedem de suas alunas mulheres diante do avanço do grupo.

“Alguns professores se despediram de suas alunas quando todos foram evacuados da Universidade de Cabul esta manhã. E talvez não vejamos nossa formatura como milhares de alunos em todo o país”, escreveu em publicação no Twitter.

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