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Gravação revelaria momentos que antecederam queda de Airbus da Germanwings

Revista ‘Paris Match’ publicou transcrição de vídeo que teria sido gravado com celular. À CNN, porta-voz da polícia francesa negou a possibilidade de qualquer gravação ter vazado à imprensa

Por Da Redação 31 mar 2015, 20h59

“A cena é tão caótica que não é possível identificar ninguém, mas os gritos dos passageiros revelam que eles estavam perfeitamente conscientes do que iria acontecer”. Assim a revista Paris Match descreve imagens de um vídeo que teria sido feito com um celular momentos antes da queda do Airbus A320 da Germanwings nos Alpes franceses, uma semana atrás. A tragédia, provocada pelo copiloto Andreas Lubitz, deixou 150 mortos, incluindo o copiloto.

A publicação afirma ter conseguido a gravação com uma fonte próxima das investigações. A agência francesa de investigação de acidentes aéreos disse não ter conhecimento do vídeo e um porta-voz da polícia francesa afirmou à rede americana CNN que celulares foram recolhidos do local da queda, mas ainda não foram analisados por especialistas. Jean-Marc Menichini descartou a possibilidade de um cartão de memória ter sido vazado para a imprensa por alguém envolvido nos trabalhos de resgate.

A transcrição do vídeo ao qual o tabloide alemão Bild também afirma ter tido acesso afirma que é possível ouvir gritos de “Meu Deus”, em vários idiomas. As publicações relatam ainda pelo menos três golpes metálicos em decorrência da tentativa do piloto de arrombar a porta da cabine do avião. “Quase no fim, depois de uma sacudida mais forte, os gritos se intensificam. Então, mais nada”, descreve a revista.

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A Paris Match ressaltou que as imagens confirmam as informações recuperadas de uma das caixas-pretas da aeronave. Em uma reconstituição dos acontecimentos, por volta das 10h10 da manhã, o comandante comenta com Lubitz que não teve tempo de ir ao banheiro antes da decolagem. Ao que o copiloto responde: “Pode ir quando quiser”. Pouco depois, o avião atinge a altitude de cruzeiro e o copiloto repete: “Pode ir lá. Pode ir lá agora”.

Os sons ouvidos em seguida são do movimento de um assento, do desatar de um cinto de segurança e da porta se abrindo. O piloto diz então a Lubitz: “Você está no controle agora”. “Vamos ver”, é a resposta.

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Segundo as investigações, o que acontece a seguir é o travamento da porta pelo copiloto que, sozinho na cabine, reprograma o piloto automático para acelerar a velocidade de descida. O avião perde 900 metros de altitude por minuto. O controle de tráfego aéreo percebe a mudança e tenta várias vezes entrar em contato com a aeronave, sem sucesso.

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Um alarme dispara enquanto, do lado de fora da cabine, o piloto tenta abrir a porta e grita: “Sou eu!”. “Pelo amor de Deus, abra essa porta!”. Às 10h34 é possível ouvir as primeiras reações dos passageiros, em pânico. Um segundo alarme é ouvido, sem que haja qualquer reação de Lubitz para mudar o rumo da aeronave. “Abra essa maldita porta!”, grita o piloto do lado de fora.

Apesar do barulho ambiente, é possível ouvir a respiração – normal – do copiloto, que colocou uma máscara de oxigênio, segundo o relato da revista. Antes da queda, a asa direita do avião se choca com uma montanha.

Também nesta terça, a companhia aérea Lufthansa, controladora da Germanwings, informou que Lubitz entregou à escola de voo da empresa documentos médicos mostrando que havia passado por um “episódio prévio de depressão severa”. O copiloto interrompeu seu treinamento por vários meses em 2009.

(Da redação)

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