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Grã-Bretanha não descarta enviar armas a rebeldes sírios

Chanceler diz que novo pacote de ajuda à oposição síria a ser anunciado nesta semana será apenas de assistência não-letal, mas não exclui nada para o futuro

A Grã-Bretanha não descarta a possibilidade de fornecer armas aos rebeldes sírios no futuro, mas um novo pacote de ajuda que será anunciado nesta semana vai consistir apenas de assistência não-letal, disse neste domingo o secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague. Os países ocidentais têm até agora se esquivado de armar os rebeldes que lutam contra o ditador Bashar Assad, apesar de seu firme apoio diplomático aos esforços para retirá-lo do poder.

Segundo relatos da Reuters, os rebeldes sírios vêm recebendo nos últimos meses uma quantidade crescente de armas através da fronteira da Turquia e da Jordânia. Acredita-se que elas estejam sendo bancadas por países árabes ricos, como Catar e Arábia Saudita. Na quinta-feira, o governo americano informou que vai fornecer ajuda não-letal aos grupos de insurgentes sírios para reforçar seu apoio popular. A expectativa é que o pacote inclua suprimentos médicos, alimentos e 60 milhões de dólares. O novo secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse na sexta-feira que acredita ser “correto” prover apenas “apoio não-letal” aos rebeldes.

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A Grã-Bretanha já ofereceu anteriormente ajuda não-letal aos rebeldes, como rádios, coletes e suprimentos médicos. Nesta semana, Hague vai fazer um pronunciamento no Parlamento durante o qual anunciará mais ajuda. “Não vou anunciar a entrega de armas à oposição síria”, disse. “Não excluo nada para o futuro. Se isso continuar por meses ou anos, e países como o Iraque, Líbano e Jordânia forem desestabilizados, é algo que não podemos ignorar”, acrescentou Hague. “Pode-se chegar ao ponto em que, por fim, a urgência humanitária e as perdas de vidas se tornem tão grandes que se tem que fazer algo de novo, a fim de salvar vidas.”

Em uma entrevista filmada para o jornal Sunday Times, exibida em Londres na noite de sábado, Assad disse que o envolvimento da Grã-Bretanha na crise síria foi ingênuo e irrealista. “Como podemos esperar que eles (a Grã-Bretanha) façam a violência diminuir quando querem enviar suprimentos militares para os terroristas?”, afirmou Assad na entrevista. Hague refutou os comentários de Assad, que qualificou como “delirantes”. “Este é um homem que preside este massacre. A mensagem para ele é: ‘Nós, a Grã-Bretanha, somos um povo enviando comida, abrigo e cobertores para ajudar as pessoas expulsas de suas casas e famílias em seu nome'”, disse Hague.

(Com agência Reuters)