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Grã-Bretanha envia caças para base a 160 quilômetros de Damasco

Aviões de transporte militar também foram vistos na base localizada no Chipre. Moradores da região dizem que atividade no local cresceu nas últimas 48 horas

Caças e aviões de transporte militar britânicos aterrissaram nesta segunda-feira na base aérea de Akrotiri, localizada no Chipre, a menos de 160 quilômetros da capital síria Damasco. De acordo com o jornal The Guardian, dois pilotos comerciais que costumam voar para Larnaca, capital cipriota, avistaram de suas cabines as aeronaves C-130, usadas para transportar soldados. Além disso, os pilotos flagraram pequenas fileiras de caças que teriam partido da Europa nos radares de seus painéis de controle.

Moradores da área em que a base militar está localizada disseram que a atividade no local cresceu consideravelmente nas últimas 48 horas. O local é utilizado como uma base área do Exército britânico desde 1960 e terá papel estratégico em caso de conflito armado contra o regime do ditador Bashar Assad. Segundo o The Guardian, o deslocamento dos aviões para o Chipre pode ter recebido o aval do governo britânico após o premiê David Cameron, o presidente americano Barack Obama e outros líderes europeus mudarem a retórica sobre a participação das forças de Assad no massacre com armas químicas que custou mais de mil vidas na periferia de Damasco, na semana passada.

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O secretário de Estado americano, John Kerry, fez um pronunciamento afirmando que houve, sim, uso de armas químicas na Síria. Embora não tenha sido explícito, ele indicou que a administração Obama vai responsabilizar o regime do ditador Bashar Assad pela “obscenidade moral” que chocou a consciência do mundo. Kerry também sugeriu que o governo americano está mais perto de agir militarmente em resposta ao ataque, sem deixar claro, no entanto, quando uma ação nesse sentido poderá ocorrer.

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Marie Harf, afirmou após o discurso de Kerry que o “número de mortos” da última quarta-feira obrigou os Estados Unidos a endurecer o posicionamento com relação à guerra civil síria. Mas, segundo dados levantados pela ONU, o conflito já havia deixado mais de 100.000 mortos nos últimos dois anos.

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A passividade do governo americano diante da matança no país também foi discutida ao longo do pronunciamento do porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. Sem especificar os detalhes da estratégia adotada desde o início do confronto pela administração Obama, Carney apenas ressaltou que o uso de armas químicas foi determinante para o governo americano discutir uma ação na Síria. “Os ataques químicos violam leis internacionais que estão em vigor há muito tempo. Eles são contrários às diretrizes adotadas desde a I Guerra Mundial”, disse.

Estratégia – Especialistas de guerra ouvidos pelo The Guardian acreditam que Grã-Bretanha, Estados Unidos e seus aliados só irão permitir qualquer intervenção militar na Síria após os inspetores da ONU divulgarem um último relatório sobre o uso de armas químicas na guerra civil. Se o plano de atacar o regime de Assad for realmente levado adiante, os bombardeios focariam principalmente nos quartéis localizados ao sul de Damasco, onde estão abrigadas as unidades de elite do Exército sírio e uma divisão militar comandada pelo irmão do ditador, Maher Assad. Outro alvo também poderá ser a base da guarda presidencial, usada para proteger Damasco. O quartel está localizado ao norte da capital síria.