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Governo venezuelano prende outro dirigente opositor

Daniel Ceballos, prefeito de San Cristóbal, berço da onda de protestos é acusado de “instigar rebelião”

O prefeito de San Cristóbal e um dos dirigentes do partido oposicionista Vontade Popular (VP), Daniel Ceballos, foi preso nesta quarta-feira em Caracas por ordem da Justiça Venezuelana.

Tal como Leopoldo López, outro dirigente do VP que está preso há um mês, Ceballos é um dos principais incentivadores da onda de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que sacode a Venezuela desde fevereiro. O ministro do Interior, Justiça e Paz, Miguel Rodríguez, afirmou que a prisão foi determinada porque o prefeito está fomentando uma “rebelião civil” e instigando à violência.

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San Cristóbal, no estado de Táchira, próximo da fronteira com a Colômbia, foi o foco original dos protestos contra os chavistas, antes mesmo dos primeiros choques registrados 12 de fevereiro e até hoje é um das cidades que mais registra manifestações.

“Ceballos teve ordem captura decretada por rebelião civil. O prefeito deixou de cumprir as funções que a lei lhe impõe e facilitou e apoiou todas as violências irracionais desatadas na cidade San Cristóbal”, disse Rodríguez.

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Segundo o jornal El Nacional Ceballos foi preso em um hotel de Caracas quando participava de uma reunião com outros prefeitos. Já o jornal El Universal afirmou, com base em informações divulgadas pelo VP, que a prisão foi realizada por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional. O partido também afirmou que os agentes não apresentaram um mandado quando efetuaram a detenção.

Desde o início dos protestos, o governo venezuelano já efetuou mais de 1.500 detenções – cerca de cem permanecem atrás das grades. No caso de López, a prisão sem provas gerou repúdio por parte da Anistia Internacional que disse que esse tipo de detenção “é uma tentativa politicamente motivada para silenciar a dissidência no país”.