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Governo Trump quer investigar urnas eletrônicas no Brasil, diz jornal americano

Departamento de Estado enviará dois funcionários a Brasília para acompanhar o processo eleitoral; autoridades brasileiras veem tentativa de interferência

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 jul 2026, 10h18 | Atualizado em 26 jul 2026, 11h34
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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretendia enviar dois funcionários do Departamento de Estado ao Brasil para questionar a segurança e a transparência das urnas eletrônicas. A informação foi publicada neste sábado, 25, pelo jornal americano The Washington Post, que ouviu quatro autoridades brasileiras e americanas.

A delegação deveria chegar a Brasília nos próximos dias e seria formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto. Ambos são indicados políticos de Trump e têm histórico de aproximação com grupos conservadores em outros países, mas o Ministério de Relações Exteriores do Brasil negou os vistos de entrada em uma tentativa de estancar discursos conspiratórios contra a eleição que se avizinha. Em outra frente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou que pretende se reunir com diplomatas no próximo dia 17 de agosto – americanos também serão convidados – para reforçar a importâncias das urnas eletrônicas e a segurança do sistema brasileiro de votação.

O Departamento de Estado confirmou que os dois funcionários viajariam ao Brasil, mas não informou quais compromissos serão cumpridos nem detalhou a finalidade da visita. Também não está claro quais autoridades ou representantes políticos deveriam se reunir com os americanos.

Segundo o The Washington Post, o objetivo da missão seria lançar dúvidas sobre a integridade do sistema brasileiro de votação a pouco mais de dois meses das eleições, marcadas para 4 de outubro. A suspeita entre integrantes do governo brasileiro é de que os enviados pretendam conversar com críticos das urnas e produzir um relatório sobre o processo eleitoral.

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Diplomatas brasileiros disseram ao jornal, sob condição de anonimato, que o governo pretende impedir qualquer tentativa de interferência americana nas eleições. Uma das autoridades classificou a iniciativa como uma “manobra completamente incompatível com a democracia brasileira”.

Declaração de Flávio Bolsonaro

A movimentação americana ocorre na mesma semana em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levantou suspeitas sobre as urnas durante um encontro com representantes diplomáticos em Brasília.

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Flávio afirmou que equipamentos utilizados nas eleições brasileiras teriam sido fornecidos pela Smartmatic, empresa que atuou em votações na Venezuela. Ele também citou um relatório da CIA sobre a capacidade do regime venezuelano de interferir em sistemas eletrônicos de votação.

 O Tribunal Superior Eleitoral informa que a Smartmatic nunca forneceu urnas nem programas usados nos equipamentos brasileiros. Todo o projeto das urnas e do sistema de votação foi desenvolvido e é administrado pela própria Justiça Eleitoral. A empresa prestou apenas serviços como treinamento de técnicos e conexão de dados e voz, sem participar da fabricação, programação ou operação dos aparelhos.

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O relatório da inteligência americana citado pelo senador trata da Venezuela e não estabelece qualquer relação com o processo eleitoral brasileiro. O documento também afirma que não havia provas definitivas de fraude eletrônica em larga escala e que nem a Smartmatic nem o governo venezuelano teriam capacidade de alterar o resultado de eleições fora daquele país.

Em nota, a equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não questionou a integridade das eleições brasileiras. Segundo a campanha, ele defendeu o envio de mais observadores internacionais para ampliar a transparência do pleito.

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Ação no TSE

Depois das declarações, o PT acionou o TSE contra Flávio Bolsonaro e pediu a aplicação de multa de 30.000 reais por disseminação de informações falsas sobre as urnas. O partido também solicitou a retirada de publicações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e dos deputados Gustavo Gayer e Júlia Zanatta que reproduzem as alegações.

Na representação, o PT afirma que as manifestações integram um movimento articulado para descredibilizar o sistema eletrônico de votação. A legenda argumenta que o documento da CIA foi apresentado de maneira descontextualizada, uma vez que não faz qualquer referência às eleições brasileiras.

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O episódio remete à reunião realizada por Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros em julho de 2022. Na ocasião, o então presidente usou a estrutura do governo para divulgar acusações sem provas contra as urnas. O encontro foi posteriormente usado pelo TSE para condená-lo por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-o inelegível.

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