Governo Trump pausa indefinidamente processos de visto para imigrantes no mundo todo
Departamento de Estado diz que medida visa treinar funcionários consulares para avaliar solicitantes de forma mais rigorosa em meio a cerco aos estrangeiros
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pausou de forma temporária os agendamentos de entrevistas para a obtenção de vistos de imigração em todo o mundo, informou o Departamento de Estado americano na terça-feira 25, segundo a agência de notícias Reuters. A medida ocorre em meio à ofensiva mais ampla do mandatário republicano para restringir a entrada de estrangeiros no país.
Um porta-voz do Departamento de Estado declarou que o órgão começou uma iniciativa global de treinamento em todas as embaixadas e consulados americanos, um processo de capacitação que obrigou um reajuste nos agendamentos de serviços de visto.
Autoridades não deram, porém, detalhes sobre o treinamento nem sobre seu cronograma, limitando-se a divulgar que o objetivo da iniciativa é ajudar funcionários consulares a barrar solicitantes considerados propensos a depender de benefícios públicos dos Estados Unidos, além de garantir que os pedidos de visto sejam avaliados de forma “abrangente e consistente”.
A suspensão dos agendamentos foi noticiada primeiro pelo Financial Times. Segundo o jornal, solicitantes de vistos de imigração que tinham entrevistas agendadas em embaixadas e consulados dos Estados Unidos receberam e-mails informando que seus horários haviam sido remarcados e que seriam posteriormente notificados sobre uma nova data.
Cerco à imigração
O governo Trump promove uma ofensiva agressiva de deportações e repressão à imigração, que inclui desde a suspensão de iniciativas de asilo e restrições à obtenção de Green Card até a rejeição de pedidos de vistos por uma série de motivos, como opiniões políticas que a Casa Branca considera ferirem os interesses americanos (a exemplo de posições pró-Palestina contra a ofensiva do aliado americano Israel em Gaza).
Na segunda-feira 26, o governo americano divulgou uma proposta para tornar permanente uma taxa de US$ 103 mil (mais de R$ 530 mil, na cotação atual) para a emissão de novos vistos H-1B, aqueles destinados a trabalhadores estrangeiros altamente qualificados. A medida sem precedentes deve afetar, em especial, os setores de tecnologia, educação e pesquisa.
Além da expulsão de quem está em solo americano, as medidas provocaram um desincentivo à imigração. No ano passado, apenas 344 mil vistos H-1B foram solicitados, uma queda de mais de 25% em relação a 2024 e menos da metade dos 794 mil vistos solicitados em 2023.
Também nesta terça 26, novos dados revelaram que o ICE, a polícia de imigração americana, prendeu 49. 571 pessoas em julho, o maior número de detenções mensais desde o início do segundo mandato de Trump, e também o mais alto em pelo menos quatro anos. O mês passado viu uma média de 1. 500 imigrantes capturados por dia, além de 1. 100 deportações a cada 24 horas.
As expulsões, aliás, também atingiram um nível recorde: quase 34 mil imigrantes foram removidos dos Estados Unidos em julho, o maior número desde o início do segundo governo Trump.
Denúncias
A ofensiva migratória de Trump tem sido condenada por grupos de direitos humanos, que a consideram discriminatória e contrária aos direitos civis e ao devido processo legal. Organizações jurídicas também afirmam que a política criou um ambiente inseguro nos Estados Unidos, especialmente para minorias étnicas que manifestaram preocupação com perfilamento racial.
A política tem enfrentado alguns reveses judiciais. Na sexta-feira passada, um juiz federal derrubou uma medida do governo Trump que suspendia a emissão de vistos de imigrantes para solicitantes de 75 países, afirmando que a política excedia a autoridade legal do secretário de Estado, Marco Rubio.
No entanto, a Suprema Corte dos Estados Unidos concedeu ao ocupante do Salão Oval duas grandes vitórias em decisões sobre imigração em junho. O tribunal decidiu que o governo americano pode revogar as proteções contra deportação e autorizações de trabalho para centenas de milhares de imigrantes, focando inicialmente em cidadãos do Haiti e da Síria, além de barrar revisões judiciais sobre a medida. Em outra votação, a corte permitiu que a administração impeça solicitantes de asilo de entrarem ou apresentarem pedidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México antes de pisarem em solo americano.







