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Governo Trump acusa Brasil de censura após rede social alterar algoritmo para eleições

Plataforma X, antigo Twitter, afirma que mudança atende resolução do TSE e impede recomendações de candidatos que usuário não segue

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 ago 2026, 17h56 | Atualizado em 18 ago 2026, 11h22
Governo Trump acusa Brasil de censura após rede social alterar algoritmo para eleições Priorizar nos meus resultados Google

Uma funcionária do alto escalão do governo de Donald Trump acusou o Brasil de promover censura neste domingo, 16, após o X (antigo Twitter) anunciar uma mudança em seu algoritmo para as eleições de 2026. A plataforma informou que deixará de recomendar, na aba “Para Você”, publicações de candidatos que não sejam seguidos pelos usuários durante o período eleitoral.

A alteração foi anunciada na sexta-feira, 14, e recebeu o nome de “Brazil2026ElectionFilter” (Filtro para as Eleições Brasileiras de 2026). Segundo o próprio X, a ferramenta foi criada para atender às regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito deste ano. A Corte determinou restrições à recomendação automatizada de conteúdos eleitorais por plataformas digitais.

Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado para Diplomacia Pública e Assuntos Públicos, afirmou em uma publicação que a medida representa uma “censura imposta pelo Brasil”. O cargo é subordinado ao Departamento de Estado americano, chefiado por Marco Rubio, que tem desempenhado papel de destaque nos recentes atritos entre Washington e Brasília.

As polêmicas medidas de Donald Trump

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Segundo o X, a resolução do TSE determina que plataformas que utilizam sistemas de recomendação excluam das sugestões automatizadas as contas oficiais de candidatos e suas publicações durante o período eleitoral. A regra, no entanto, não impede que os usuários encontrem ou acessem diretamente esses conteúdos.

“Essas contas e seus posts de candidatos não serão mais recomendados na aba Para Você durante o período eleitoral, a não ser que o usuário explicitamente siga a conta”, informou a plataforma. O X ressaltou que os candidatos não serão suspensos e que suas publicações continuarão disponíveis nos respectivos perfis.

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A empresa reconheceu que a alteração deverá reduzir a visibilidade e o alcance das contas e de seus conteúdos, mas afirmou que a medida não constitui uma sanção nem altera as regras gerais da plataforma. O X também disse estar comprometido em ampliar a transparência sobre o funcionamento de seus sistemas de recomendação.

Histórico de confrontos

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A mudança ocorre em meio a um histórico de confrontos entre a plataforma e autoridades brasileiras. Em agosto de 2024, o X foi suspenso no país por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após sucessivos descumprimentos de decisões judiciais. À época, a empresa encerrou suas operações no Brasil e retirou seu representante legal do país.

O bloqueio durou 39 dias e terminou após o X cumprir as exigências impostas pela Justiça brasileira, incluindo o restabelecimento de sua representação legal no país e o pagamento de multas.

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A fala de Rogers se dá também em meio a atritos entre o governo Trump e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. No começo do mês, o governo brasileiro decidiu adotar o princípio de reciprocidade diplomática contra os Estados Unidos em resposta à revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

A medida dos EUA seria uma resposta ao fato de o governo Lula não ter concedido o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada do país americano no Brasil. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil e rejeitou os argumentos apresentados pelo governo americano para justificar a decisão.

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No comunicado, o Palácio do Planalto afirma ainda que as duas justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são “falsas”. O governo sustenta que o processo de concessão de agrément para embaixadores é confidencial, conforme estabelece o artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, e argumenta que Washington tornou público o nome de seu indicado antes mesmo de formalizar o pedido de anuência ao governo brasileiro.

Em entrevista ao canal de YouTube Meteoro Brasil, Lula afirmou que se trata de uma “atitude irresponsável, impensada” e um movimento “desnecessário”.

Brasil e Estados Unidos vivem uma fase de conflitos e de distanciamento, depois que o governo Trump decidiu aplicar duas rodadas de tarifas contra o setor produtivo brasileiro. Recentemente, o governo brasileiro negou visto a dois integrantes do governo americano que viriam ao Brasil para supostamente questionar o sistema eleitoral brasileiro.

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