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Governo russo volta a acusar rebeldes sírios por ataque químico

Aliado de Assad diz que relatório da ONU não responde perguntas sobre o caso; França diz que não há dúvidas de que regime cometeu crime

Por Da Redação 17 set 2013, 09h58

O governo russo voltou a acusar nesta terça-feira os rebeldes sírios pelo ataque com armas químicas, ocorrido em um subúrbio de Damasco, em 21 de agosto, e disse que o episódio tinha o objetivo de provocar uma intervenção estrangeira na guerra civil e desestabilizar o regime do ditador Bashar Assad, aliado de Moscou. A acusação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, após uma reunião com o ministro equivalente francês, Laurent Fabius, em Moscou. “Temos razões muito consistentes para pensar que (o ataque) foi uma provocação”, disse Lavrov.

Nesta segunda-feira, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou o uso de gás sarin no ataque, mas evitou apontar os autores. Para Lavrov, o relatório da organização deixou várias questões sem reposta.

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Já Fabius responsabilizou o governo Assad pelo ataque que, segundo os EUA, deixou mais de 1.400 mortos. “Quando você olha para a quantidade utilizada de gás sarin, os vetores, as técnicas do ataque, parece não haver dúvida de que o regime (sírio) está por trás dessa ação”, disse o francês.

O ministro francês viajou a Moscou para pressionar a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que estabeleça sanções contra o regime de Assad se ele não cumprir o acordo que prevê a entrega do controle do seu arsenal químico, conforme estabelecido num plano proposto pela Rússia. Mas Moscou tem se colocado contra qualquer previsão de sanção. Segundo declarou Lavrov nesta terça-feira, a Rússia não quer que a resolução inclua o Capítulo 7 da Carta da ONU, que permite o uso da força.

O ministro russo disse que a resolução deve simplesmente apoiar o programa da Organização para a Proibição de Armas Químicas e oferecer trabalhadores adicionais para proteger os locais que abrigam os componentes químicos da Síria. Ao final da reunião, Lavrov disse que, apesar de Moscou e Paris terem o mesmo objetivo de encerrar o derramamento de sangue, há diferenças na forma como as nações pretendem chegar a esse fim.

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