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Governo promete prender manifestantes, mas grupo oposicionista convoca egípcios para novos protestos

Um dos principais responsáveis pelas manifestações de terça, o grupo 6 de Abril adota, em comunicado, o lema 'vitória ou morte'

Por Da Redação - 26 jan 2011, 08h46

Inspirados pelo movimento popular que retirou do poder o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, milhares de pessoas marcharam nas principais cidades egípcias, exigindo a queda de Mubarak

Mesmo sob a promessa do governo do Egito de prender e processar aqueles que participarem de manifestações políticas, o grupo opositor 6 de Abril, um dos principais responsáveis pelo movimento realizado na terça-feira no Egito, promoverá novos protestos nesta quarta para pedir a renúncia do presidente do país, Hosni Mubarak, que está no poder há três décadas. “O Movimento 6 de Abril pede a continuidade das manifestações e espera que novos participantes se unam aos que protestam nas províncias do Egito para que, juntos, resistam até que se tornem realidade todas as exigências do povo”, disse o grupo por meio de comunicado divulgado na internet.

Na mesma nota, o movimento opositor garante que não desistirá de suas exigências “até que Mubarak e seu séquito saiam”. “Vitória ou morte”, finaliza o comunicado do “6 de Abril”, que convocou a manifestação de terça através de redes sociais como Facebook e Twitter. Inspirados pelo movimento popular que retirou do poder o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, milhares de pessoas marcharam nas principais cidades egípcias, exigindo a queda de Mubarak, o fim da lei de emergência que vigora desde 1981 e a realização de eleições parlamentares.

Em resposta, as agências de notícias oficiais anunciaram nesta quarta que protestos e caminhadas públicas estão proibidos no país e aqueles que forem pegos em tais atividades serão detidos e processados. No Cairo, em um episódio sem precedentes, milhares de pessoas se concentraram na terça na praça de Tahrir, de onde foram retiradas à força durante a madrugada desta quarta. Nos confrontos entre manifestantes e a polícia ocorridos na capital egípcia e em Suez, houve saldo de 150 feridos e quatro mortes: um policial e três civis.

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Reação internacional – O vice-premiê israelense, Sylvan Shalom, afirmou nesta quarta-feira ter a esperança de que os distúrbios no Egito não influenciem as relações com Israel. “Todos esperamos que as autoridades egípcias saibam estabelecer a liberdade e os direitos a seus cidadãos, seguindo pelo bom caminho e mantendo as boas relações estabelecidas com Israel há mais de 30 anos”, afirmou Shalom à rádio pública. O Egito foi o primeiro país árabe a assinar um acordo de paz com Israel, em 1979. O vice-premiê também disse que os atuais distúrbios em vários países árabes não têm relação com o conflito israelense-palestino.

Já o governo da França lamentou as mortes ocorridas durante as manifestações no Egito, por intermédio de sua ministra das Relações Exteriores, Michèle Alliot-Marie. Ela também destacou que a política francesa defende “mais democracia em todos os estados”. “Não se trata para a França de ingerência, mas nossos princípios são princípios do estado de direito, de não interferência, mas também de pedidos para que sempre exista mais democracia e mais liberdade em todos os estados”, destacou.

(Com agências France-Presse e EFE)

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