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Governo egípcio apresenta renúncia em meio a protestos

Ainda não foi confirmado se a Junta Militar aceitou o pedido de demissão

Em meio à onda de violentos protestos no Cairo, o gabinete civil do Egito apresentou sua renúncia à Junta Militar que dirige o país, informou o Conselho de Ministros egípcio em comunicado oficial. A nota revela que a renúncia foi apresentada no domingo, mas divulgada somente nesta segunda-feira.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, egípcios iniciaram, em janeiro, sua série de protestos exigindo a saída do então presidente Hosni Mubarak.
  2. • Durante as manifestações, mais de 850 rebeldes morreram em choques com as forças de segurança de Mubarak que, junto a seus filhos, é acusado de abuso de poder e de premeditar essas mortes.
  3. • Após 18 dias de levante popular, em 11 de fevereiro, o ditador cede à pressão e renuncia ao cargo, deixando Cairo.
  4. • No lugar dele, assumiu a Junta Militar que segue governando o Egito até as eleições.

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Agências internacionais chegaram a noticiar que a cúpula militar havia aceito a carta de demissão, mas a TV estatal disse que o pedido foi recusado. Logo depois, o ministro da Informação egípcio, Osama Heikal, anunciou que nenhuma decisão foi tomada ainda. Ele garantiu, ainda, que o Executivo seguirá exercendo suas funções até que a Junta Militar dê o seu parecer a respeito.

“A demissão foi apresentada porque a maioria dos ministros viu que estava enfrentando grandes pressões que impediam o exercício das funções”, disse Heikal à agência oficial Mena. Devido a essas pressões, o titular de Informação explicou que “é necessário ou dar outra oportunidade ao governo ou formar um novo”.

“O governo assume sua responsabilidade política, manifesta sua lamentação por estes fatos dolorosos (os protestos) e, partindo deste sentimento, apresentou ontem (domingo) sua renúncia e a pôs à disposição do Conselho Supremo das Forças Armadas”, disse o porta-voz do gabinete, Mohammed Hegazy, em um comunicado, no qual pede tranquilidade aos cidadãos “para recuperar a estabilidade do país e abrir caminho para o primeiro passo democrático”.

Pouco antes, o ministro da Cultura do país, Emad Abu Ghazi, já havia abandonado o cargo pelo mesmo motivo. Os enfrentamentos entre forças de segurança e manifestantes na emblemática Praça Tahrir – que está em seu terceiro dia – já deixaram 22 mortos. Um registro anterior indicava 33 vítimas fatais desde sábado, mas o necrotério do país reconheceu uma confusão na contagem de vítimas. Há, ainda, mais de 1.700 feridos.

Eleições – Os confrontos ocorrem a uma semana do início das eleições legislativas, que estavam marcadas para o próximo dia 28 e foram confirmadas pelo Executivo nesta segunda. Os manifestantes exigem o fim do poder militar instaurado em 11 de fevereiro, após a renúncia do ditador Hosni Mubarak. Os militares são acusados de querer se perpetuar no poder e manter o sistema repressivo do antigo regime.

Essam Sharaf, nomeado para a liderança do governo em março, era muito popular no movimento pró-democracia, mas sua imagem foi comprometida devido a sua fraqueza frente à tutela das Forças Armadas e à lentidão em aplicar as reformas exigidas por grande parte da população.

EUA – Mais cedo, os Estados Unidos pediram “moderação” ao Egito e afirmaram que esperam que a transição democrática seja mantida. “Estamos profundamente preocupados com a violência”, declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. “Pedimos a todas as partes que (tenham) moderação”, acrescentou, indicando que é “importante que o Egito siga avançando” em uma transição democrática.

(Com agências EFE e France-Presse)