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Governo do Barein usa tanques para reprimir protestos

Para Hillary Clinton, estados do Golfo estão errados em mandar tropas ao país

Por Da Redação 16 mar 2011, 20h45

“Eles estão no caminho errado. Não há resposta segura a isso”

Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, sobre envio de tropas de países do Golfo ao Barein

Forças de segurança do Barein enviaram tanques à praça da Pérola, em Manama, após a polícia reprimir com violência protestos contra o regime. As tropas do governo também entraram em um hospital, ameaçando os feridos, proibiram a realização de manifestações e impuseram um toque de recolher em algumas regiões do país. Há informações de que três civis e três policiais morreram durante o dia.

O Barein, cuja população é de 800.000 pessoas, foi o primeiro país no golfo Pérsico a ser atingido pelos violentos protestos no mundo árabe, que já derrubaram os governos da Tunísia e do Egito. As manifestações começaram no mês passado.

Na manhã desta quarta-feira, centenas de policiais tomaram o controle da praça da Pérola, após uma ação contra os manifestantes, em sua maioria xiitas. Poucas horas depois, as forças de segurança entraram no distrito financeiro de Manama e liberaram as ruas que os manifestantes haviam bloqueado com barricadas, segundo testemunhas.

Violência – De acordo com Halil Marzuk, deputado do movimento xiita Al Wefaq, as forças de segurança usaram munição real com a “intenção deliberada de matar manifestantes”. O deputado também acusou a polícia de bloquear o acesso a vários hospitais e de cercar o principal centro médico da capital. Ali Al Aswad, outro deputado do Al Wefaq, afirmou que as forças oficiais foram mobilizadas em várias localidades xiitas nos arredores de Manama, onde aconteceram confrontos.

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As autoridades ainda anunciaram o fechamento da Bolsa de Valores, das escolas e das universidades em consequência do estado de emergência decretado na véspera. Também impuseram um toque de recolher em algumas regiões do país, que se estenderá por 12 horas.

Na última segunda-feira, a Arábia Saudita enviou mil homens ao Barein para ajudar a reprimir os protestos. Os insurgentes consideraram a decisão como uma declaração de guerra contra o povo.

EUA – Em uma entrevista à rede de TV CBS, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que os estados do Golfo estão “no caminho errado” ao enviar tropas ao Barein. Ela afirmou que os Estados Unidos deixaram claro às seis nações do Conselho de Cooperação do Golfo que não havia solução segura para o problema, o qual deveria ser resolvido por negociações.

Hllary informou que um total de seis países do GCC, incluindo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, “enviaram tropas para apoiar o governo do Barein”. “Eles estão no caminho errado. Não há resposta segura a isso”, concluiu.

Já o presidente americano, Barack Obama, ligou para o rei Abdullah da Arábia Saudita e para o rei Hamad do Bahrein nesta quarta-feira para expressar “profunda preocupação” com as revoltas no país.

Irã – Já o Irã convocou, nesta quarta-feira, seu embaixador em Manama, Mehdi Aghajafari, para consultas. A medida teria o intuito de protestar contra “o assassinato do povo de Barein pelas mãos de seu governo”, segundo uma declaração publicada no site do governo iraniano. Segundo analistas, porém, ela pode ter um significado ainda mais profundo, já que é de interesse iraniano que uma importante base militar americana, que fica no Barein, se desestabilize.

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