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Governo convoca reforço da Guarda Nacional para conter protestos em Ferguson

Advogados da família de Michael Brown classificaram resultado de júri como "injusto" e "falido"

Por Da Redação 25 nov 2014, 16h49

O governador do Estado do Missouri, Jay Nixon, anunciou na tarde desta quarta-feira que vai enviar mais homens da Guarda Nacional para Ferguson. A cidade foi tomada por protestos violentos após a divulgação do resultado de um grande júri que decidiu pela absolvição do policial que matou o jovem Michael Brown, de 18 anos, em agosto. Na noite de terça-feira, após episódios de saques e vandalismo, mais de 80 pessoas acabaram presas. “A violência que vimos em Ferguson é inaceitável”, disse Nixon.

O governador não especificou quantos homens extras da Guarda Nacional serão enviados. Na semana passada, dias antes da divulgação do resultado, 400 homens já haviam chegado a Ferguson.

Também nesta terça-feira os advogados que representam a família de Michael Brown classificaram o júri que decidiu pela absolvição do policial como “completamente injusto” e “falido”.

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Em um pronunciamento na tarde desta terça-feira, o advogado Benjamin Crump criticou a decisão da promotoria do Condado de Saint Louis, no Missouri, de delegar a decisão de indiciar ou não o policial Darren Wilson para o corpo de jurados. Para o advogado, a promotoria deveria ter indicado um promotor especial para denunciar o policial.

“Esse processo está falido”, disse. Crump declarou ainda que um calouro de direito teria interrogado Wilson melhor do que o promotor Robert P. McCulloch – responsável por levar o caso ao grande júri e por fazer perguntas para o policial durante o processo.

Outro advogado, Anthony Gray, criticou a forma como a promotoria apresentou as provas para os jurados e disse que a absolvição foi “um reflexo direto da apresentação das evidências”. O reverendo e ativista Al Sharpton, que também participou do pronunciamento, reclamou das justificativas apresentadas pela promotoria na noite de terça-feira. “Nunca vi um promotor conceder uma coletiva de imprensa para acabar com a credibilidade de uma vítima”, afirmou.

Os jurados decidiram que não havia causa provável para acreditar que Wilson havia cometido um crime, livrando-o das acusações. O policial afirma que foi forçado a usar força letal após Brown, que pouco antes havia roubado um pacote de cigarros em um mercado, tentar atacá-lo.

Em seu depoimento sobre a morte de Brown, Wilson afirmou que o jovem negro o olhou como se “um demônio” antes de atacá-lo. Segundo especialistas ouvidos pela imprensa americana, a frase demonstra que o policial tentou desumanizar Brown.

Família da vítima – Os pais de Brown estavam ao lado dos advogados durante o pronunciamento. Os advogados também comentaram a divulgação de um vídeo em que o padrastro de Michael, Louis Head, incita uma multidão a cometer vandalismo. As imagens, gravadas logo após a divulgação do resultado do júri, mostram Louis Head abraçando sua esposa enquanto ela chora. Logo depois, Head se voltou para a multidão e gritou “Queimem essa m…! Queimem essa m… até o chão!”. Segundo o advogado Crump, os gritos foram inapropriados, mas poderiam ser entendidos como uma reação emotiva. “Não os condenem por serem humanos”, disse.

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