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Governo britânico defende serviço secreto de críticas

Inteligência estava de olho em autores de ataque em Londres havia 8 anos

O governo britânico defendeu nesta sexta-feira o serviço secreto do país das críticas de que poderia ter evitado o brutal ataque em Woolwich que deixou um soldado morto. Em uma investigação do Parlamento sobre o papel do serviço de segurança no ataque, descobriu-se que a inteligência britânica já estava de olho havia oito anos nos dois radicais islâmicos que assassinaram o fuzileiro Lee Rigby na quarta-feira a golpes de faca e machete.

“O governo fará uma longa investigação sobre aquilo que já era de conhecimento do serviço secreto”, disse à rede BBC o secretário do Interior britânico Eric Pickles. “Mas ouvi especialistas em segurança explicarem como é difícil manter vigilância eficaz sobre um número indeterminado de suspeitos numa sociedade livre”,

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O ex-chefe do setor de inteligência antiterrorismo Richard Barrett disse também à BBC que é muito difícil prever esse tipo de ataque. “Pessoas com esse perfil podem surgir em pequenos grupos que não têm ligações além-mar ou mesmo com organizações que operam no interior e estão sob vigilância.”

O soldado Rigby, de 25 anos, foi destroçado em plena rua em Woolwich, no sudeste de Londres, na tarde de quarta-feira. Em seguida, um homem identificado como Michael Adebolajo, de 28 anos, foi filmado, com as mãos ainda ensanguentadas, dizendo que ele atacou o fuzileiro “porque os britânicos matam muçulmanos todos os dias”. A polícia chegou em seguida e baleou Adebolajo e o outro suspeito, Michael Adebowale, quando eles tentaram fugir. Os dois estão hospitalizados em condição estável em Londres. Um homem e uma mulher, ambos de 29 anos, estão sob interrogatório da polícia por conexão com o ataque.

“No Islã isso pode ser justificado” – Adebolajo foi visto em uma manifestação islâmica em abril de 2007 ao lado do clérigo Anjem Choudary, líder da organização islâmica al-Muhajiroun, banida da Grã-Bretanha. Em entrevista a vários veículos da imprensa britânica, Choudary disse que Adebolajo “falou coisas das quais poucos muçulmanos podem discordar”, mas que ainda assim ficou chocado com o ataque.

“Um homem morto na rua não equivale às centenas, milhares e milhões, aliás, que foram assassinadas pela política externa americana e britânica”, afirmou o clérigo radical. “No Islã isso pode ser justificado. Ele não atacou civis, mas um militar. Para as pessoas do Oriente Médio, ele é um herói”.

Em contraste, milhares de membros da comunidade islâmica Ahmadiyya, uma das maiores da Grã-Bretanha, devem se reunir em oração pelo soldado destroçado pelos radicais. Na manhã desta sexta-feira, cerca de 30 pessoas participaram de uma oração por Rigby em Manchester, sua cidade natal. O representante nacional da comunidade, Rafiq Hayat, renegou esse tipo de ação. “Nós esperamos que os responsáveis por esse crime, baseado em uma ideologia distorcida, sejam levados à Justiça”.