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Governo brasileiro pede manutenção da ‘ordem democrática’ no Paraguai

Em nota, Itamaraty afirmou que presidente Mario Abdo 'reúne todas as condições' para governar, após oposição ameaçar pedir impeachment

O Ministério das Relações Exteriores advertiu nesta quinta-feira, 1º, contra a “quebra da ordem democrática” no Paraguai, após a oposição no país ameaçar entrar com um processo de impeachment contra o presidente Mario Abdo Benítez por causa da insatisfação em torno de um acordo energético com o Brasil.

Em nota, o Itamaraty afirmou que o governo brasileiro está “convencido” de que Mario Abdo “reúne todas as condições” para continuar a governar e conduzir o desenvolvimento de seu país.

“Ao reiterar total respeito ao processo constitucional do Paraguai, o Brasil confia em que o processo seja conduzido sem quebra da ordem democrática, em respeito aos compromissos assumidos pelo Paraguai no âmbito da cláusula democrática do Mercosul – Protocolo de Ushuaia”, afirmou a chancelaria.

O comunicado ressalta ainda o “excelente nível do relacionamento” e a “inteira convergência de valores” atingida pelo presidente Jair Bolsonaro e Mario Abdo.

“O Brasil espera que essa cooperação com o presidente Mario Abdo possa prosseguir, o que permitirá a plena implementação das iniciativas em curso e a consecução de novos avanços, inclusive no que tange à implementação, em benefício mútuo, dos compromissos dos dois países ao amparo do Tratado de Itaipu”, afirma o Ministério de Relações Exteriores.

Na quarta-feira 31, partidos de oposição do Paraguai anunciaram que apresentariam um pedido de impeachment contra o presidente Mario Abdo e o vice-presidente Hugo Velázquez.

Políticos e parlamentares reagiram contra a assinatura do acordo energético com o Brasil, que estabelece um cronograma para a compra de energia gerada pela hidrelétrica binacional Itaipu até o ano de 2022.

O acordo – fechado em maio, mas conhecido publicamente apenas na semana passada – elevará os custos para a empresa estatal de eletricidade do Paraguai em mais de 200 milhões de dólares, segundo o ex-diretor da entidade.

Nesta quinta, o embaixador do Brasil no Paraguai, Carlos Alberto Simas Magalhães, assinou um documento reconhecendo a decisão paraguaia de anular a ata bilateral firmada em maio, segundo o jornal local ABC Color. 

O processo de impeachment

O processo de impeachment deve ser iniciado na Câmara dos Deputados, onde são necessários 53 votos para a acusação.

Em seu bloco, a oposição reúne apenas 38, portanto a abertura do processo depende dos votos do Honor Colorado, movimento dissidente do partido de governo liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes. O partido já anunciou que se uniu à petição de julgamento político contra o presidente.

Na quarta, após o anúncio da oposição, Mario Abdo desafiou os legisladores que pediram o fim do seu governo. “Aceito a briga! Por um Paraguai sem máfias!”, disse o presidente de direita em sua conta de Twitter.

A embaixada dos Estados Unidos na capital Assunção expressou preocupação com a situação nas últimas horas de quarta-feira.

“Esperamos que se respeitem os processos democráticos e a Constituição Nacional, tomando decisões com calma e de forma participativa, assegurando o devido processo legal, outorgando os prazos necessários às partes e considerando todas as provas”, disse o embaixador Lee McClenny no Twitter.