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Governo birmanês liberta dezenas de destacados dissidentes

Por Da Redação - 13 jan 2012, 09h59

Bangcoc, 13 jan (EFE).- O governo de Mianmar libertou nesta sexta-feira dezenas de destacados dissidentes na quarta anistia que decreta desde que, há menos de um ano, assumiu as rédeas do país e da abertura política, após meio século de um ferrenho regime militar.

Líderes e militantes de organizações políticas clandestinas e de entidades estudantis, monges budistas, jornalistas e o chefe de uma das minorias rebeldes foram incluídos na lista de 651 presos anistiados pelo presidente birmanês, Thein Sein.

O ex-primeiro-ministro e ex-chefe dos antigos serviços de inteligência militar, Khin Nyunt, e dois de seus filhos, assim como o carismático ex-líder estudantil Min Ko Naing e o religioso budista Shin Gambira, figuram entre os libertados.

O ex-general Nyunt, artífice de um plano para a implantação da democracia que serve de guia ao atual governo, foi condenado com seus filhos em 2007 a penas de entre 44 e 68 anos de prisão por corrupção, devido às lutas internas da dissolvida junta militar.

Após a destituição e detenção de Nyunt, a junta desmantelou o serviço de inteligência e deteve vários oficiais que estavam sob seu comando, dos quais ao menos 148 foram libertados.

‘Estou muito feliz e minha família também, mas alguns dos meus homens seguem presos e alguns merecem ser postos em liberdade. O melhor será que todos sejam libertados e possam se reunir com suas famílias’, disse Nyunt à imprensa após sair da penitenciária de segurança máxima de Insein, nos arredores de Yangun, a antiga capital.

Apesar do número exato de presos políticos anistiados ainda não ter data para ser divulgado, a imprensa local e associações civis estimavam que tenham sido libertados ao menos 170 birmaneses presos por motivos políticos.

No grupo de anistiados foram incluídos destacados membros da plataforma opositora clandestina ‘Geração 88’, que mobilizou a população em 1988 para demandar uma reforma democrática à qual o Exército respondeu com um massacre de centenas de pessoas.

Entre eles destaca-se o carismático líder da ‘Geração 88’, Min Ko Naing, que desde 1989 passou a maior parte do tempo preso por seu ativismo político.

Naing cumpria agora uma condenação de 63 anos de prisão na penitenciária de Thayet, no norte do país, por seu papel nos protestos ocorridos em 2007, que foram chamados de ‘Revolução Açafrão’ e que foram esmagados a tiros pelos soldados.

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As autoridades também libertaram o religioso budista U Shin Gambira, líder da Aliança de Todos os Monges Birmaneses, que cumpria uma pena de 68 anos de prisão por mobilizar os religiosos do país para que participassem das grandes manifestações da ‘Revolução Açafrão’.

Entre os libertados está também o chefe da Liga Nacional Shan para a Democracia, Kun Tun Oo, detido em 2005 junto a vários de seus colaboradores e condenado a 93 anos de prisão ao ser declarado culpado de traição por dirigir o levante da minoria étnica shan.

‘A primeira coisa que quero dizer é que é muito importante libertar aqueles que continuam nas prisões’, disse o líder shan à rádio estatal ao sair da prisão de Putao, no extremo norte de Mianmar.

As libertações também incluíram pelo menos quatro jornalistas presos por colaborar com meios de comunicação estrangeiros, entre eles Thant Zin Aung, detido por divulgar na internet imagens da destruição provocada pelo ciclone ‘Nargis’, em 2008, que causou 138 mil mortes.

‘A libertação deste elevado número de presos políticos é um sinal positivo, que demonstra a vontade do governo de resolver os problemas por vias políticas’, indicou em uma nota a Liga Nacional para a Democracia, a legenda da líder opositora e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

A medida foi anunciada na véspera por meio da emissora de televisão estatal, enquanto a comunidade internacional pressiona o Executivo para que libertasse todos os presos políticos como prova de que realmente está fazendo uma reforma democrática.

Segundo a Associação para a Assistência aos Presos Políticos de Mianmar, até agora permaneciam presos um total de 1.572 pessoas, incluindo cerca de 260 ativistas da Liga Nacional para a Democracia.

Já o partido de Suu Kyi estimava que permaneciam nas prisões cerca de 600 presos políticos.

A libertação dos presos políticos perseguidos pelo regime militar anterior é uma das principais condições fixadas pelos Estados Unidos e a União Europeia (UE) antes de decidir se cancelarão as sanções impostas previamente em resposta ao abuso dos direitos humanos no país.

Com esta anistia, sobe para aproximadamente 21,8 mil o número de presos libertados, embora até este último perdão apenas 347 deles eram políticos. EFE

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