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Governo afegão diz que expulsou jornalista americano por espionagem

O correspondente do 'The New York Times', Matthew Rosenberg, se recusou a revelar as fontes de uma reportagem sobre o impasse eleitoral no país

Por Da Redação 22 ago 2014, 07h16

A secretaria de Justiça do Afeganistão justificou nesta quinta-feira por que o jornalista do The New York Times, Matthew Rosenberg, foi expulso do país. Segundo o governo afegão, uma reportagem escrita por Rosenberg sobre o impasse eleitoral no país “é mais um ato de espionagem do que um trabalho jornalístico, feito somente para criar pânico e confundir as pessoas, e fornecer base para espionagens futuras”. A medida provocou indignação nos Estados Unidos e na ONU, uma vez que um jornalista não era expulso do Afeganistão desde a derrubada do governo do Talibã.

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A ordem para Rosenberg deixar o país foi emitida após a publicação de um artigo em que o jornalista suscitava a discussão entre funcionários do alto escalão do governo para formar um comitê interino que teria o objetivo de resolver o impasse eleitoral. As autoridades afegãs exigiram que Rosenberg revelasse as fontes usadas para a reportagem, mas o americano se recusou a cumprir tal determinação.

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O segundo turno das eleições presidenciais do Afeganistão foi realizado em junho. Sem Hamid Karzai na disputa, impossibilitado de concorrer a um terceiro mandato, os candidatos Ashraf Ghani e Abdullah Abdullah foram os que mais angariaram votos entre os eleitores. Denúncias de fraude, no entanto, suspenderam os resultados do pleito e forçaram as autoridades a instaurar uma auditoria para determinar quem foi o vencedor. Os Estados Unidos têm mediado a apuração, mas, de acordo com a secretaria de Justiça do Afeganistão, o artigo escrito por Rosenberg era “contrário aos interesses nacionais, segurança e estabilidade do país.”

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O jornal The New York Times salientou que o pronunciamento do governo afegão se deve às duras críticas feitas por Jan Kubis, um representante do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na quarta-feira. Kubis havia dito que a expulsão “não estava de acordo com a liberdade de expressão” e pediu para o Afeganistão “revisar com urgência as suas ações para proteger os direitos da imprensa no país”. As autoridades do país declararam que o comunicado da ONU “estava distante da realidade” e lamentou que a organização “tenha chamado tal ato de inteligência de jornalismo.”

O embaixador dos Estados Unidos no Afeganistão, James B. Cunningham, se encontrou com o presidente Karzai nesta quinta e emitiu um comunicado dizendo que a expulsão do jornalista é uma ameaça para a afirmação de um sistema democrático no Afeganistão. Aparentemente, Cunningham não pediu para que Karzai reconsiderasse a determinação do governo. “Expressei ao presidente Karzai a minha preocupação com relação a esta decisão não autorizada. Eu pedi para que ele repasse ao seu governo a importância de proteger a liberdade de imprensa. Essa tarefa é uma parte importante na formação do legado de sua presidência”, disse o diplomata.

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