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Governo admite que resposta ao terremoto foi ‘inadequada’

Primeiro-ministro Naoto Kan pediu aos ministros que troquem mais informações

55% dos japoneses têm baixas expectativas sobre os esforços do governo para combater a crise

É uma tradição dos japoneses – e um costume que muitos políticos brasileiros poderiam adotar. O primeiro-ministro do Japão veio a público nesta sexta-feira para admitir seus erros, reconhecendo que poderia ter feito um trabalho melhor para o país. Naoto Kan falou sobre a maior tragédia do passado recente do país, o terremoto e tsunami de 11 de março. E falou abertamente que a resposta de seu governo à tragédia foi “inadequada em vários aspectos”.

Kan fez essa avaliação durante uma reunião com as duas equipes governamentais encarregadas da crise nuclear e das consequências de um desastre que já soma quase 25.000 mortos e desaparecidos. “As áreas afetadas ainda enfrentam condições difíceis, mas também vimos movimentos positivos rumo à reconstrução”, comentou ele, de acordo com a agência de notícias Kyodo. Kan disse que a maior falha na reação à tragédia foi o descoordenação de sua equipe.

O porta-voz do governo, Yukio Edano, explicou que Kan quer que a informação seja compartilhada de forma mais eficaz entre os ministros, mesmo que algum problema ou preocupação esteja na jurisdição de outra pasta. Na avaliação do chefe de governo, faltou diálogo e cooperação entre os vários ministérios que seriam afetados no caso de uma tragédia como a de março. Apesar da tentativa de corrigir as falhas, Kan não conta com a confiança da população.

Em baixa – De acordo com uma pesquisa de opinião divulgada nesta semana pelo jornal Asahi, 55% dos japoneses têm baixas expectativas sobre os esforços do governo para combater a que o próprio Kan definiu como a pior crise do país desde o final da II Guerra Mundial. A popularidade de Naoto Kan – que dentro de um mês completa um ano no cargo de primeiro-ministro – já era muito baixa antes mesmo da tragédia, com um índice de aprovação de apenas 20%.

O terremoto de 9 graus na escala Richter causou um devastador tsunami. O abalo também provocou uma gravíssima crise nuclear na usina de Fukushima, no nordeste do país. Essa crise ainda não foi controlada. No total, 14.841 pessoas morreram e outras 10.063 estão desaparecidas por causa do desastre, que devastou boa parte das províncias de Miyagi, Iwate e Fukushima. Nessas regiões, cerca de 100.000 pessoas tiveram de deixar suas casas.

(Com agência EFE)