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Gorbachev, o velho combatente das ditaduras, ataca Putin

Último líder soviético diz que o primeiro-ministro russo obstrui a democracia

Por The New York Times 27 out 2010, 21h09

Gorbachev é, sem dúvida, mais respeitado no exterior do que em casa, em parte porque alguns o responsabilizam pelo caos político e econômico da década de 1990

Mikhail Gorbachev, que já apoiou Vladimir Putin, expressa uma frustração crescente com a liderança do primeiro-ministro russo, dizendo que ele tem minado a jovem democracia do país ao paralisar as forças de oposição. “Ele acha que a democracia se interpõe em seu caminho”, disse Gorbachev.

“Tenho medo que eles estimulem a ideia de que o país é ingovernável e precisa de autoritarismo”, disse Gorbachev, em referência a Putin e a seu aliado mais próximo, o presidente Dmitry Medvedev. “Eles pensam que não podem abrir mão disso.”

Em uma entrevista, Gorbachev descreveu o partido governista de Putin, Rússia Unida, como “uma cópia mal-feita do Partido Comunista Soviético”. Ele disse que funcionários do partido estavam preocupados em aferrar-se ao poder e não queriam que os russos participassem da vida cívica.

Gorbachev foi especialmente depreciativo sobre a decisão de Putin, em 2004, quando era presidente, de eliminar as eleições para governos regionais e para a prefeitura de Moscou e São Petersburgo. Os cargos são preenchidos por pessoas nomeadas pelo Kremlin. O impacto da mudança foi ilustrado pela demissão, no mês passado, do prefeito de Moscou, substituído por uma pessoa leal a Putin. “Democracia começa por eleições”, disse Gorbachev. “Eleições, responsabilidade e alternância no poder.”

Gorbachev, o último líder soviético, deu entrevistas este mês para promover um concerto beneficente que sua fundação está patrocinando em março para homenagear seus 80 anos. A fundação tem um centro de pesquisas e levantou milhões de dólares para instituições de caridade para crianças com câncer.

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As críticas de Gorbachev a Putin, ainda que não sejam novas, parecem ter aumentado de forma acentuada recentemente, como se Gorbachev sentisse que colocou a Rússia no caminho de uma democracia apenas para Putin bloquear seu progresso.

Nem Putin nem Medvedev responderam a Gorbachev publicamente. Na terça-feira, perguntado sobre os comentários de Gorbachev, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, parecia escolher as palavras com cuidado. “Sentimos um profundo respeito por Mikhail Gorbachev e certamente respeitamos seu ponto de vista”, disse Peskov. “Mas isso não significa que concordamos com ele.”

Peskov disse que os partidos de oposição falharam em trazer ganhos para a Rússia porque seus líderes eram impopulares e não tinham plataformas atraentes. “Nem Putin pessoalmente, nem o Rússia Unida, como partido político, podem ser responsabilizados pela incapacidade de outros partidos em produzir alguma coisa promissora para os cidadãos deste país”, disse ele.

Internado com dor de garganta, Gorbachev falou com vigor e não parecia mais brando com a idade. Ele se reuniu com jornalistas na sede de sua fundação, em Moscou, repleta de fotografias e outras recordações que destacam seus esforços para reformar a União Soviética.

Quase duas décadas depois do colapso da URSS, Gorbachev ocupa um lugar estranho na sociedade russa. Ele é, sem dúvida, mais respeitado no exterior do que em casa, em parte porque alguns o responsabilizam pelo caos político e econômico da década de 1990. É digno de nota mencionar que o concerto beneficente de sua fundação terá lugar no Royal Albert Museum, em Londres, e não em Moscou.

Recentemente, Gorbachev se envolveu com a oposição. Ele é co-proprietário do maior jornal de oposição do país, o Novaya Gazeta, que teve vários jornalistas mortos ou feriados em ataques. Ele tentou formar um partido político para concorrer nas eleições parlamentares do próximo ano, mas desistiu diante dos assustadores obstáculos legais.

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