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Golpe na Turquia: Erdogan diz que ação é de minoria

O presidente turco convocou a população a ir às ruas para impedir o golpe

Por Da redação - Atualizado em 15 Jul 2016, 20h27 - Publicado em 15 Jul 2016, 19h19

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que a ação militar foi organizada por uma “estrutura paralela”, expressão que ele usa para se referir ao clérigo muçulmano radicado nos Estados Unidos Fethullah Gülen, que o líder turco chama de terrorista. Em entrevista via aplicativo pelo celular à CNN turca, Erdogan afirmou que irá superar com uma resposta apropriada o que ele chamou de levante de uma minoria.

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O mandatário turco pediu à população que vá às ruas para opor-se ao levante. “Convoco a população turca a ocupar praças públicas e aeroportos. Nunca acreditei em um poder maior do que o poder do povo”, reportou o jornal britânico The Guardian.

Por fim, Erdogan afirmou que está a caminho da capital Ancara, e que aqueles envolvidos no levante pagarão um alto preço pela ação.

Tentativa de golpe – Na noite desta sexta-feira, uma ala do Exército da Turquia afirmou ter tomado o controle do governo do país. Uma declaração de um grupo militar transmitida pela emissora turca NTV informava que “o poder do país foi totalmente tomado”. “Para recuperar nossos direitos humanos, constitucionais e democráticos, estamos oficialmente assumindo o controle do país”, dizia a nota. O grupo mantém o antigo chefe do Estado-Maior como refém, segundo a agência de notícias ANSA.

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Por meio de um anúncio na emissora de TV turca TRT, os militares decretaram um toque de recolher em todo o país e declararam lei marcial, que restringe a liberdade dos civis. O anúncio prometia ainda uma nova constituição.

Forças de segurança foram chamadas para “fazer o que for necessário”, disse o primeiro-ministro Binali Yildirim, que denunciou um golpe militar nesta sexta-feira. “Algumas pessoas empreenderam uma ação ilegal fora da linha de comando”, disse Yildirim em comentários transmitidos pela turca NTV, acrescentando que os responsáveis serão punidos. “O governo eleito pelo povo continua no comando. Este governo só vai partir quando as pessoas quiserem isso.”

Ruas – Tanques de guerra bloquearam o tráfego em importantes pontes de Istambul e o aeroporto da cidade. Todos os voos foram cancelados. Caças sobrevoam a capital Ancara, onde trocas de tiros foram reportadas por testemunhas.

Segundo relatos de uma testemunha à agência de notícias Reuters, um helicóptero militar abriu fogo em Ancara e o som de uma explosão foi ouvido na cidade.

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Histórico de golpes – Entre 1960 e 1997, os militares deram quatro golpes de Estado na Turquia, sendo que um dos governos foi deposto por suas tendências islâmicas. A relação de Erdogan, que chegou ao poder em 2003 como primeiro-ministro e foi eleito presidente em 2014, com o militares nunca foi amigável.

Em uma década, o atual presidente prendeu 10% de todos os generais do Exército. Os perseguidos eram todos seculares e bem-sucedidos dentro da corporação.  Somente na Aeronáutica, cerca de 800 oficiais foram investigados pelo serviço secreto turco. Mais de 150 deles foram acusados de ser “moralmente impuros”. Os crimes em questão são adultério, jogatina e visitação de sites da internet como o Facebook.

 

 

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