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George W. Bush é a “arma secreta” da campanha de Jeb

Antes da entrada do ex-presidente na campanha, evitava-se até usar o sobrenome “Bush” para tentar impedir a associação imediata do pré-candidato com seu irmão famoso

O ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, entrou definitivamente na campanha de seu irmão Jeb na corrida presidencial americana. Nesta segunda-feira, em North Charleston, na Carolina do Sul,George W. fez um discurso defendendo seu irmão e atacando Donald Trump – que também é candidato à indicação do Partido Republicano para concorrer à Casa Branca. Apesar das muitas referências em seu pronunciamento, o ex-presidente, no entanto, não mencionou nenhuma vez o nome do pré-candidato magnata.

Por ter saído do governo em 2009 com a maior taxa de reprovação da história – ele deixou o país em duas guerras e em meio à maior crise financeira desde a crise de 1929 – George W. estava sendo convenientemente “escondido” da campanha de seu irmão. A direção da campanha evitava até usar o sobrenome “Bush” e fez todo o material de divulgação apenas com o nome “Jeb” para tentar impedir a associação imediata do pré-candidato com seu irmão.

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O resgate de George W. de seu rancho no Texas para ajudar Jeb representa uma mudança radical na campanha, mas ainda é cedo para saber como a nova orientação vai refletir nas pesquisas e resultados. Trump lidera as pesquisas de intenção de voto na disputa presidencial republicana em nível nacional, e também as das primárias que acontecerão na Carolina do Sul, no próximo sábado. Tanto George W. como seu pai, o também ex-presidente George Bush, foram bem votados na Carolina do Sul e Jeb parece agora recorrer aos parentes famosos para tentar manter-se na disputa.

Segundo a média diária de pesquisas elaborada pelo site RealClearPolitics, Trump tem hoje 36,6% de apoio para as primárias da Carolina do Sul, com quase 20 pontos de vantagem sobre o segundo, o senador Ted Cruz (17,8%), enquanto Jeb Bush ocupa o quinto lugar, com 9,3% de apoio.

Críticas a Trump – “Não precisamos de alguém no Salão Oval que reflita e inflame nossa frustração”, advertiu George W. em sua primeira aparição pública em apoio à campanha de seu irmão. O ex-presidente acrescentou que o país necessita de “alguém que possa solucionar os problemas e acalmar nossa indignação, e esse alguém é Jeb Bush”. Em outro momento de seu discurso, George W. Bush lembrou os excessos e insultos que costumam marcar os discursos de Trump e suas participações em debates. Sem mencionar o magnata, o ex-presidente disse: “De acordo com a minha experiência, a pessoa mais forte não é geralmente a mais barulhenta da sala”. Segundo o ex-presidente, que alertou os eleitores de que as eleições são um assunto “sério”, a força “não é retórica vazia, nem fanfarronice”.

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Trump norteou seus ataques de campanha contra Jeb Bush em tentativas para mostrar o ex-governador da Flórida como um candidato fraco, e repetiu essa mesma acusação no último debate televisionado entre os candidatos republicanos, que aconteceu no último sábado. No debate, Trump afirmou que a Guerra do Iraque, iniciada pelo ex-presidente Bush, foi um “grande erro” e atacou o ex-chefe de Estado ao dizer que o “World Trade Center foi derrubado durante seu mandato”, com os atentados de 11 de setembro de 2001.

(Da redação)