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Ganhador do Nobel da Paz quer que sua mulher receba prêmio

Liu Xia, contudo, está autorizada a sair de casa apenas em viatura policial para visitar seus pais e comprar alimentos

Por Da Redação - 12 out 2010, 15h37

Enquanto isso o governo chinês argumenta que é vítima de preconceito e conspiração por parte do Ocidente. A China se enfureceu com o prêmio, que em 1989 foi dado ao líder espiritual tibetano exilado Dalai Lama, que também é repudiado por Pequim e que já parabenizou Liu

O ganhador chinês do Prêmio Nobel da Paz deste ano, Liu Xiaobo, que está preso, pediu a sua mulher que receba o prêmio em Oslo. “Xiaobo me disse que espera que eu possa ir a Oslo para receber o prêmio por ele”, disse Liu Xia pelo telefone de sua casa em Pequim, onde ela permanece em prisão domiciliar. “Acho que será muito difícil”, ela acrescentou, indagada se o governo permitiria sua viagem a Oslo, onde o prêmio será entregue no dia 10 de dezembro.

Ela está autorizada a sair de casa apenas em viatura policial para visitar seus pais e comprar alimentos. Seu marido, que ela pôde visitar na prisão no nordeste do país no fim de semana, recebeu a notícia solenemente e com grande senso de responsabilidade, disse Liu Xia. “Ele disse que o prêmio deve ser para todas as vítimas de 4 de junho”, disse ela, referindo-se à repressão sangrenta de 1989 contra os manifestantes pró-democracia na praça Tienanmen, movimento com o qual Liu teve envolvimento profundo.

Enquanto isso o governo chinês argumenta que é vítima de preconceito e conspiração por parte do Ocidente. A China se enfureceu com o prêmio, que em 1989 foi dado ao líder espiritual tibetano exilado Dalai Lama, que também é repudiado por Pequim e que já parabenizou Liu. O porta-voz do Ministério do Exterior da China, Ma Zhaoxu, disse que a concessão do prêmio a Liu, que está cumprindo pena de 11 anos de prisão por subversão, não vai abalar o sistema político unipartidário chinês. “Alguns políticos de alguns países aproveitaram esta oportunidade para falar mal da China. Isso revela uma falta de respeito pelo sistema judiciário chinês e também nos leva a desconfiar das verdadeiras motivações deles”, disse Ma em coletiva de imprensa.

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou ainda que a decisão sobre libertar ou não o vencedor do Prêmio Nobel da Paz, é um assunto interno do país. Antes, vários pedidos internacionais foram feitos pela imediata libertação do dissidente, entre eles um do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Questionado sobre a declaração de Obama pela libertação de Liu, um porta-voz do ministério, Ma Zhaoxu, disse que a China se opõe a que qualquer um “faça disso um tema” ou interfira em assuntos internos do país. O funcionário reiterou que o Nobel da Paz para o dissidente prejudicará as relações entre a China e a Noruega, mesmo que a fundação que conceda o Nobel seja independente do governo, e que a premiação deixou “o povo chinês descontente”.

Críticas internas – Mas as críticas da China a governos estrangeiros devido ao Nobel foram direcionadas principalmente ao público chinês, opinou Nicholas Bequelin, pesquisador especializado na China junto ao grupo internacional Human Rights Watch, que critica as restrições feitas por Pequim aos direitos humanos.

“Retratar algo que é essencialmente um gesto simbólico de apoio à sociedade civil chinesa como ataque do Ocidente contra a China é uma técnica testada e comprovada do governo chinês para desviar críticas e apelar para o sentimento nacionalista”, disse Bequelin.

(Com Reuters e AP)

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