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G8 pede para que o ditador do Iêmen deixe o poder

País árabe foi o primeiro a ser comentado na reunião, devido a novos conflitos

“Nós deploramos as lutas que ocorreram esta noite, que se configuram como um resultado direto do atual impasse político que o país vive, e pelo qual o presidente Saleh é responsável”

No primeiro dia de reunião dos líderes dos países do G8 em Deauville, no norte da França, a situação política do Iêmen ganhou destaque devido à onda de violência que se intensificou no país na noite de quarta-feira. Anfitriã do encontro, a França se pronunciou contra a ditadura de 33 anos do presidente do país, Ali Abdullah Saleh.

“Nós deploramos as lutas que ocorreram esta noite, que se configuram como um resultado direto do atual impasse político que o país vive, e pelo qual o presidente Saleh é responsável”, afirmou comunicado francês divulgado no início do encontro. Em meio às revoltas populares que pedem por democracia, Saleh se nega a abandonar o poder.

Os Estados Unidos, de quem o Iêmen sempre foi aliado no combate à Al Qaeda, também endossaram o pedido francês. “Nós continuamos a apoiar a saída do presidente Saleh, que havia concordado em ceder ao acordo de transição, mas que tem se negado a respeitar esse acordo”, afirmou a Secretária de Estado do país, Hilary Clinton.

Nesta quinta-feira, os combates com armas automáticas e fogo de morteiros entre forças de segurança e homens armados a serviço do xeque Sadek Al-Ahmar entraram no quarto dia consecutivo. Os choques armados, que explodiram na segunda-feira passada no bairro de Al Hasba, deixaram durante a última noite cerca de 40 mortos, segundo informações da imprensa local.

Egito e Tunísia – Também na chegada para a reunião da cúpula, o G8 concordou em estabelecer um acordo de parceria com a Tunísia e o Egito, para que ambos continuem liderando movimentos pacíficos de transição de poder na África do Norte. O acordo também prevê ajuda financeira para a recuperação econômica de ambas as nações.

Segundo o jornal francês Le Monde, os dois países árabes aguardam ansiosamente a concretização do acordo, para assim receberem a liberação de recursos para a reconstrução. Enquanto o Cairo pede 12 bilhões de dólares até 2012, Tunis quer 25 bilhões de dólares em um prazo de cinco anos.

Temas cúpula do G8 Temas cúpula do G8

Temas cúpula do G8 (/)

Quem é o G8 – Desde 1975, um grupo de chefes de estado e diplomatas das mais ricas e industrializadas nações democráticas do mundo se reúne todos os anos para discutir grandes questões econômicas e políticas. Integram o G8 a França, os Estados Unidos, a Grã Bretanha, a Alemanha, a Itália, o Japão, o Canadá e a Rússia. Enquanto os seis primeiros participaram de todos os encontros desde 1975, o Canadá juntou-se aos demais no ano seguinte. Já a Rússia foi formalmente admitida apenas em 2006, quando sediou a primeira assembleia do G8 em seu território.

Embora sempre entrem na pauta uma série de preocupações domésticas de cada integrante, boa parte do debate é marcada por temas que dizem respeito à comunidade internacional como um todo. Com a globalização, observada especialmente a partir de meados dos anos 90, estas reuniões ganharam cada vez mais importância. Os encontros atraem os olhos de toda a imprensa mundial, bem como um considerável número de manifestações contrárias às ações das grandes potências.