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G20: postura de Lula sobre Gaza é ‘admirável’, diz chanceler turco

Hakan Fidan, que participa de cúpula no Rio, tomou partido do Brasil em meio a crise diplomática com Israel, segundo agência de notícias Reuters

Por Da Redação
Atualizado em 22 fev 2024, 12h39 - Publicado em 22 fev 2024, 10h58

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, afirmou nesta quinta-feira, 22, que a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação à guerra em Gaza é “admirável”, segundo a agência de notícias Reuters, após uma fala em que o petista comparou as ações militares de Israel contra os palestinos ao Holocausto cometido pelo regime nazista de Adolf Hitler. Fidan participa nesta quinta do segundo dia da reunião dos chanceleres do G20, no Rio de Janeiro, que ocorre em meio a uma crise diplomática entre Brasil e Israel desencadeada pela declaração de Lula.

“A postura demonstrada pelo presidente brasileiro Lula é admirável”, teria dito Fidan, segundo um assessor diplomático turco que conversou com a Reuters em condição de anonimato.

+ O duro ataque do chanceler israelense a Lula: ‘Cuspiu no rosto dos judeus’

Posição turca

Desde o início da guerra no Oriente Médio, a Turquia criticou duramente Israel pelos seus ataques contra Gaza e apoiou iniciativas para que o país fosse julgado por genocídio na Corte Internacional de Justiça (CIJ), o tribunal das Nações Unidas em Haia. A nação também tem apelado repetidamente a um cessar-fogo, o que, segundo a Reuters, repetiu-se na cúpula dos chanceleres do G20.

Ao contrário dos seus aliados ocidentais e de algumas nações do Golfo, a Turquia, que é membro da aliança militar Otan, não vê o Hamas como uma organização terrorista.

+ O que esperar da reunião de chanceleres do G20 no Rio de Janeiro

O mesmo assessor diplomático disse à Reuters que, na reunião dos ministros das Relações Exteriores do G20 no Rio de Janeiro, Fidan declarou na quarta-feira 21 que a “selvageria” em Gaza deve ser interrompida. Com homólogos dos Estados Unidos (Antony Blinken), Alemanha (Annalena Baerbock), e Egito (Sameh Shoukry), ele teria discutido “medidas concretas” para um cessar-fogo urgente e também para levar mais ajuda humanitária ao enclave.

Críticas ao Conselho de Segurança da ONU

Ancara, como o Brasil, defende que o Conselho de Segurança deve ser reformado para ser mais inclusivo e representativo do mundo. Foi uma das principais pautas do discurso de abertura da reunião no Rio, proferido pelo chanceler de Lula, Mauro Vieira.

“O fato de uma decisão sobre um cessar-fogo não ter saído mais uma vez do Conselho de Segurança da ONU mostrou que a reforma é uma obrigação”, disse Fidan numa sessão da reunião do G20, segundo a Reuters, referindo-se a um terceiro veto dos Estados Unidos a um pedido de cessar-fogo apoiado por 15 membros.

+ Blinken disse a Lula que EUA discordam de fala sobre o Holocausto

Briga diplomática com Israel

A reunião dos chanceleres ocorre em meio a uma crise diplomática entre Brasil e Israel, desencadeada por uma fala em que Lula comparou as ações militares israelenses contra os palestinos em Gaza ao Holocausto, que matou mais de 6 milhões de judeus durante o regime nazista de Adolf Hitler. “Sabe, o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, disse o presidente brasileiro.

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Em resposta, na segunda-feira 19, o governo israelense declarou o presidente Lula persona non grata e convocou o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, para uma reprimenda. O que costuma ser uma etapa do balé diplomático geralmente confinada às chancelarias virou espécie de espetáculo, já que o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, escolheu o museu do Holocausto Yad Vashem como cenário incomum do encontro. Ele mostrou o nome de seus avós no livro das vítimas, a infindável compilação dos que morreram de tantas formas diferentes.

+ A primeira reunião do fórum de negócios do G20 sob presidência do Brasil

Depois disso, o governo Lula chamou Meyer de volta ao Brasil, como adiantou o Itamaraty a VEJA na segunda-feira. A desocupação do posto em Tel Aviv tem objetivo de fazer “consultas”, segundo um funcionário ligado à diplomacia brasileira disse à reportagem, mas sugere um agravamento do impasse diplomático entre Brasil e Israel, já recheado de tensão. O Itamaraty também anunciou na segunda-feira que convocou o embaixador israelense em Brasília, Daniel Zonshine, para comparecer a uma reunião com o chanceler Mauro Vieira.

Na terça-feira, Katz deu sinal de que a briga está longe do fim. Numa postagem no X, antigo Twitter, o chanceler israelense subiu o tom com Lula e exigiu uma retratação por sua fala, que qualificou como “promíscua, delirante”, além de “um cuspe no rosto dos judeus brasileiros”. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, devolveu: disse que os comentários de Katz foram “inaceitáveis”, “mentirosos” e “vergonhosos para a história diplomática de Israel”.

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