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François Hollande tenta seguir os passos de Mitterrand 31 anos depois

Luis Miguel Pascual.

Paris, 20 abr (EFE).- Trinta e um anos depois da vitória de François Mitterrand nas eleições presidenciais francesas, nunca um candidato socialista esteve tão próximo de chegar ao Palácio do Eliseu como está agora François Hollande.

Na liderança das pesquisas, o homem que dirigiu o Partido Socialista (PS) entre 1997 e 2008 não esconde sua admiração pelo único socialista a vencer o pleito presidencial desde que este ocorre por sufrágio universal.

Assim como Mitterrand em 1981, Hollande se apresenta como o candidato da mudança, disposto a interromper dez anos consecutivos de governos de direita, os quais responsabiliza pela grave crise que o país atravessa.

Aos 57 anos, Hollande enfrenta o maior desafio de sua carreira, que transcorreu entre os corredores de seu partido e a política local em Corrèze, uma região rural no centro da França, sem nunca ter feito parte de um governo francês.

Representante da ala mais centrista do PS, conquistou a candidatura socialista em primárias abertas a todos os simpatizantes de esquerda, nas quais derrotou outros cinco candidatos e que lhe serviram como plataforma de lançamento de sua campanha rumo ao Palácio do Eliseu.

Para isso, Hollande foi submetido a uma grande transformação, tanto física quanto pessoal. Perdeu peso e mudou sua personalidade, o Hollande brincalhão e irônico deu lugar a um político mais sério, mais de acordo com a ideia de um presidente da França. Sua voz e seus gestos também mudaram, o que é visto por muitos observadores como uma imitação de Mitterrand.

Tudo isso com o objetivo de conquistar o que cinco anos antes não conseguiu Ségolène Royal, mãe de seus quatro filhos e sua companheira até a separação após as eleições presidenciais de 2002.

Depois das primárias, Hollande conseguiu colocar o Partido Socialista em posição de força, após a dura prova enfrentada quando Dominique Strauss-Kahn, favorito para liderar a candidatura socialista, desistiu de sua nomeação devido a escândalos sexuais.

Hollande defende um programa que reúne rigor financeiro e políticas de investimento que fomentem o crescimento, e prometeu renegociar o tratado europeu de estabilidade fiscal com o objetivo de introduzir mais estímulos públicos.

A isso se soma diversos dardos envenenados lançados ao mundo das finanças, tido por ele como o responsável pela crise.

‘Meu adversário de verdade não tem nome, nem rosto, nem partido, nem será candidato. Mas é quem governa. É o mundo das finanças, que tomou o controle da economia, da sociedade e de nossas vidas’, afirmou em seu comício de lançamento de campanha.

Formado na prestigiada Escola Nacional da Administração, berço da maior parte dos políticos franceses, Hollande ingressou cedo no PS e, em paralelo à carreira em Corrèze, colaborou com diversos gabinetes ministeriais, inicialmente com Jacques Delors e, depois, com Lionel Jospin.

Em 1997, quando os socialistas conseguiram a vitória nas eleições legislativas e formaram o governo, Jospin o encarregou de assumir o bastão à frente do PS, cargo que não abandonaria até 2008.

Muito preocupado em integrar todas as correntes socialistas, seu mandato à frente do partido somou vitórias em diversas eleições locais e europeias, mas com constantes derrotas nas legislativas e nas presidenciais.

Após a derrota de Royal em 2007, Hollande anunciou que abandonava a liderança do partido para preparar sua própria candidatura ao Palácio do Eliseu, o que anunciou oficialmente em 2010 após ter renovado seu mandato regional em Corrèze. EFE