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Francisco: padres gays devem ser celibatários ou largar o sacerdócio

Em entrevista a um padre espanhol, papa afirmou que a homossexualidade na Igreja é "é algo que me preocupa"

Por Reuters 2 dez 2018, 15h21

Homens homossexuais não deveriam ser admitidos no clero católico, e seria melhor para os padres ativamente gays abandonarem o sacerdócio em vez de levar uma vida dupla, afirmou o papa Francisco em um novo livro.

Embora tenha falado anteriormente da necessidade de uma melhor triagem de candidatos para a vida religiosa, o comentário sugerindo que padres que não podem manter seus votos de celibato devem deixar o sacerdócio é um dos mais enfáticos sobre o assunto até o momento.

O papa deu a declaração em entrevista a um livro do padre espanhol Fernando Prado, no qual discute os desafios de ser um padre ou freira nos dias atuais. Francisco disse que a homossexualidade na Igreja “é algo que me preocupa”. O livro está previsto para ser publicado esta semana em vários idiomas, mas uma cópia antecipada da versão italiana foi disponibilizada à agência Reuters.

“A questão da homossexualidade é muito séria”, disse ele, acrescentando que os responsáveis pela formação de homens para serem padres devem ter certeza de que os candidatos são “humanos e emocionalmente maduros” antes de serem ordenados.

Isso também se aplica às mulheres que queiram entrar em comunidades religiosas femininas para se tornarem freiras. Na Igreja Católica, padres, freiras e monges fazem votos de celibato.

A Igreja ensina que as tendências homossexuais não são pecaminosas em si, mas os atos homossexuais são. O papa disse que “não há espaço para isso” nas vidas de padres e freiras, acrescentando que a Igreja deve ser “exigente” na escolha de candidatos para o que é conhecido como a vida consagrada.

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“Por essa razão, a Igreja pede que pessoas com essa tendência enraizada não sejam aceitas no ministério (sacerdotal) ou na vida consagrada”, disse.

  • “Melhor deixar a Igreja”

    Francisco pediu que os homossexuais que já são padres ou freiras sejam celibatários e responsáveis para evitar criar escândalo. “É melhor que eles deixem o sacerdócio ou a vida consagrada em vez de viver uma vida dupla”, disse ele.

    A entrevista foi feita em meados de agosto. Menos de duas semanas depois, no dia 26 daquele mês, o arcebispo Carlo Maria Vigano, ex-embaixador do Vaticano nos Estados Unidos, colocou a Igreja no epicentro de uma polêmica ao dizer que existe uma “rede homossexual” no Vaticano, cujos membros ajudaram a promover as carreiras uns dos outros na Igreja.

    Ele também acusou o Francisco de ter ignorado uma suposta má conduta sexual com adultos seminaristas do sexo masculino pelo ex-cardeal americano Theodore McCarrick, de 88 anos. O Vaticano afirmou que as acusações de Vigano estavam repletas de “calúnia e difamação”.

    A Igreja Católica tem sido assombrada por milhares de casos de abuso sexual de menores por clérigos em todo o mundo, em países que vão desde os Estados Unidos até a Austrália, Irlanda, Bélgica, Alemanha e Chile.

    (Com agência Reuters)

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