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França: capacidade de serviço de vigilância é questionada

Especialistas e testemunhas criticam a falta de monitoramento do assassino

Por Da Redação 22 mar 2012, 14h05

Confrontado com declarações sobre eventuais falhas na vigilância do autor dos atentados em Toulouse e Montauban, o governo francês preferiu ficar na defensiva. Há dois dias, a França afirma que os aprendizes de jihadistas franceses (estimados entre quinze e vinte) são fortemente vigiados. “Estão sob controle, e Mohamed Merah foi interrogado recentemente pelos serviços de inteligência”, declarou à emissora Europe 1 o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé.

Mohamed Merah foi morto na manhã desta quinta-feira por policiais depois do cerco de mais de 31 horas ao apartamento onde estava escondido. As autoridades haviam dito no dia anterior que esperavam capturá-lo vivo. “O sobrenome dos irmãos Merah era conhecido pelos serviços de inteligência, o que levanta a seguinte questão: por que não houve uma vigilância normal, habitual?”, declarou à emissora Europe 1 François Heisbourg, especialista em política internacional e segurança.

O jornal regional Le Télégramme citou o testemunho de uma mãe de família moradora de Toulouse, que declarou que havia apresentado duas queixas em 2010 contra Merah. “Apresentei as queixas e insisti (perante as autoridades)”, disse a mulher, identificada simplesmente com o nome de Aicha pelo jornal e cujas declarações foram confirmadas por seu advogado.

Segundo ela, Mohamed Merah agrediu membros de sua família e obrigou seu filho de 15 anos a assistir a vídeos da Al Qaeda com cenas insuportáveis, em especial de mulheres sendo executadas com tiros na cabeça e homens degolados. Pouco antes, Merah apareceu no bairro com um uniforme de combate, com um sabre nas mãos e gritando “Alá Akbar” (Deus é grande), acrescentou a mulher.

Falhas – Ninguém na França afirma que os serviços de inteligência poderiam ter impedido os primeiros assassinatos de militares, um em 11 de março e dois em 15 de março. No entanto, são levantadas questões sobre a incapacidade dos responsáveis pela segurança pública de identificar rapidamente e neutralizar um homem vigiado antes que cometesse seu terceiro atentado em uma escola judaica, em 19 de março, no qual matou quatro pessoas, entre elas três crianças pequenas.

“Compreendo que possa ser levantada a questão sobre se houve falhas ou não, e, se houve, é preciso esclarecer isso”, comentou Juppé, ressaltando imediatamente que não há nenhuma razão para pensar que houve tal falha. “As pessoas que se comprometem com o meio salafista de Toulouse e as que o DCRI (serviço de inteligência interior) seguem muito de perto, como em todo o território, não manifestam propensão ou inclinação ao assassinato. No percurso dos salafistas de Toulouse, como no de Mohamed Merah, nunca apareceu uma tendência criminosa”, alegou o ministro do Interior, Claude Gueánt, em declaração à rádio RTL.

(Com agência France-Presse)

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