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França anuncia que votará a favor da demanda palestina

Proposta de se tornar estado não membro da ONU deverá ser votada no final desta semana pela Assembleia Geral. França alerta para momento 'delicado'

A França anunciou nesta terça-feira que votaria a favor da Palestina na demanda para se tornar um estado não-membro das Nações Unidas. A demanda palestina deverá ser votada no final desta semana na Assembleia Geral.

“Daremos este voto com coerência e lucidez. Vocês sabem que ao longo dos anos, a posição da França tem sido de reconhecer o estado palestino. É por essa razão que quinta ou sexta-feira, quando a questão for colocada, a França vai votar sim”, disse o ministro de Relações Exteriores, Laurent Fabius, à Assembleia Nacional da França.

Depois de ter frustrada sua tentativa de se tornar membro pleno da ONU no ano passado, diante da oposição dos Estados Unidos no Conselho de Segurança, os palestinos lançaram outra aposta, tentando passar de missão observadora a estado não-membro.

A França indicava até agora que se absteria na votação, mas firmou sua posição favorável à Palestina nesta terça, com uma ressalva do ministro Fabius sobre o momento “muito delicado” em que a proposta palestina é colocada na mesa. Ele citou, por exemplo, o cessar-fogo “extremamente frágil” acordado com os israelenses na última semana, para interromper o conflito entre Israel e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Citou ainda a proximidade das eleições israelenses, previstas para o início do ano que vem.

“Apenas por meio das negociações entre as duas partes – o que pedimos que ocorra imediatamente e sem pré-condições – é que a criação de um estado palestino poderá ser concretizada”, acrescentou Fabius.

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Membro permanente do Conselho de Segurança, a França é a primeira potência europeia a anunciar seu apoio à mudança de status, que permitiria a representantes palestinos participarem dos debates da Assembleia Geral e aumentaria as chances de participar de outros órgãos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional, onde poderiam apresentar ações contra Israel. Esse processo, contudo, não seria automático nem garantido. E, de qualquer forma, a demanda palestina deverá enfrentar a oposição dos EUA, aliados de Israel.

Israel afirma que aprovar o novo status representaria uma quebra do acordo de Oslo, de 1993, que instituiu a Autoridade Palestina. O acordo, assinado pelo então chefe da Organização para Libertação da Palestina Yasser Arafat e pelo então primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin, reconhecia o estabelecimento da Autoridade Nacional Palestina em parte da Faixa de Gaza e na cidade de Jericó.

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Para Israel, a busca por um novo status na ONU contradiz dois aspectos do acordo, o que prevê que diferenças entre as partes devem ser discutidas de forma bilateral e a ordem estabelecida para esse processo.

A França votou a favor da entrada da Palestina como membro pleno da Unesco, a agência para educação e cultura da ONU, no ano passado. O ingresso no órgão fez parte da estratégia de Abbas na busca pelo reconhecimento como estado junto às Nações Unidas. Como retaliação, os americanos anunciaram o corte de 60 milhões de dólares nos repasses que o país faria à Unesco.