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Fotos indicam que jihadistas teriam executado dezenas de soldados

Fotos foram divulgadas pelo Twitter do EIIL, mas ainda não foram reconhecidas pelo governo. Bagdá informa que está recuperando algumas áreas do país

Os jihadistas sunitas do Estado Islâmico no Iraque e Levante (EIIL) teriam executado dezenas de membros das forças iraquianas capturados, segundo fotos publicadas na internet, cuja autenticidade não pôde ser comprovada. Nas fotos analisadas pela agência France-Presse aparecem dezenas de cadáveres. Os insurgentes dizem ter tirado as fotos, publicadas no Twitter, na província de Saladino, ao norte de Bagdá.

Em uma das imagens, homens à paisana caminham inclinados diante do olhar dos insurgentes, armados com fuzis. Depois aparecem embarcando em caminhões, um deles tomado das forças de segurança. Uma terceira fotografia mostra homens dentro de uma fossa pouco profunda, enquanto os jihadistas apontam para eles com os fuzis levantados. Ao fundo da fila, um dos prisioneiros, vestido com uma camisa amarela, parece estar pedindo clemência. Em outra foto, um insurgente sunita aponta sua um fuzil AK-47 para a fossa na qual se encontram duas fileiras de homens algemados. No chão podem ser vistas poças de sangue e uma nuvem de poeira, que aparentemente formou-se após os disparos. As fotos foram tiradas em pelo menos três locais diferentes.

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Galeria de fotos: O avanço jihadista no Iraque

O governo iraquiano anunciou que as forças oficiais mataram 279 insurgentes nas últimas 24 horas, um balanço que não pôde ser verificado de forma independente. O porta-voz do primeiro-ministro Nouri al Maliki em temas de segurança, o tenente-general Qasem Atta, afirmou que as forças de Bagdá “recuperaram a iniciativa” contra os insurgentes do EIIL. O governo sírio, por sua vez, cumpriu com sua promessa de ajudar o Iraque bombardeando várias bases do EIIL nas províncias de Raqa, no norte, e Hasaka, no noroeste. Ambas as províncias fazem fronteira com o Iraque.

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Forças iraquianas teriam matado 279 insurgentes em 24 horas

Críticas de Brahimi – Em uma entrevista, o ex-mediador da ONU na Síria Lakhdar Brahimi declarou que a ofensiva jihadista e a confusão que reina agora no Iraque são o resultado da passividade da comunidade internacional diante do conflito que começou na Síria em 2011. “É uma regra habitual: um conflito deste tipo não fica restrito às fronteiras de apenas um país. Infelizmente negligenciamos o problema sírio e não ajudamos a resolvê-lo. Este é o resultado”, lamentou. Para ele, o Iraque “nunca terminou de se recuperar da invasão americana de 2003” e esta “grande ferida se infeccionou” com o conflito sírio, declarou, ressaltando que o pano de fundo do conflito com os jihadistas é uma “guerra civil entre xiitas e sunitas”.

A divisão sectária no Iraque é muito profunda e a comunidade sunita, no poder com Saddam Hussein, se sente marginalizada pelas autoridades dominadas pelos xiitas após a queda do regime, em 2003. “Os sunitas vão apoiar os jihadistas, não porque são jihadistas, mas porque o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, declarou Brahimi. Diante da escalada, os Estados Unidos mobilizaram um porta-aviões no Golfo visando uma possível intervenção, que, segundo o presidente Barack Obama, não seria terrestre, mas apenas aérea. (Continue lendo o texto)

Resistência civil – Milhares de cidadãos se apresentaram como voluntários para pegar em armas contra os insurgentes sunitas, respondendo a um pedido do governo de Maliki e do grande aiatolá Ali al-Sistani, a maior autoridade religiosa xiita do Iraque. Ao norte de Baaquba, um dos centros de recrutamento foi alvo neste domingo de disparos de morteiros, que deixaram seis mortos, entre eles três soldados.

Atendado em Bagdá – Uma explosão matou pelo menos nove pessoas e feriu outras 20 no centro de Bagdá neste domingo, afirmaram fontes médicas e da polícia. O ataque suicida foi levado a cabo por um homem vestindo um colete de explosivos no centro da capital, segundo a polícia.

A origem do EIIL é o chamado Estado Islâmico do Iraque, uma aliança de organizações radicais nascida sob os auspícios da Al Qaeda em território iraquiano em outubro de 2006, durante a ocupação americana. Em abril de 2013, o Estado Islâmico do Iraque acrescentou ‘e do Levante’ ao seu nome e anunciou que começaria a operar também na Síria, o que colocou o grupo em rota de colisão com a cúpula da Al Qaeda, que pede que o grupo limite suas ações ao Iraque. O objetivo do EIIL, considerado ainda mais radical que a Al Qaeda, é criar um emirado islâmico num região entre a Síria e o Iraque. A organização tem seu principal ponto de resistência na província iraquiana de Anbar, no oeste do país, de maioria sunita e cenário de fortes enfrentamentos com o Exército nos últimos meses.

(Com agências France-Presse e Reuters)