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Forças do Mali e da França assumem controle de aeroporto em Timbuktu

Operação foi lançada para controlar aeroporto e fechar as rodovias de acesso à cidade. Terroristas incendiaram biblioteca com manuscritos históricos

Tropas da França e do Mali invadiram nesta segunda-feira a cidade de Timbuktu, no Mali, controlada por terroristas islâmicos desde junho do ano passado. Uma manobra conjunta, terrestre e aérea, foi lançada para tomar o controle do aeroporto e fechar as rodovias de acesso à cidade histórica, situada a 900 km da capital Bamako. A operação ocorre 24 horas após a recuperação total pelas tropas aliadas da cidade de Gao, principal núcleo urbano do norte do país, que estava nas mãos dos terroristas desde abril do ano passado.

Entenda o caso

  1. • No início de 2012, militantes treinados na Líbia impulsionam uma grande revolta dos tuaregues no norte do Mali. Em março, o governo sofre um golpe de estado.
  2. • Grupos salafistas, com apoio da Al Qaeda, aproveitam o vácuo de poder para tomar o norte do país – onde impõem um sistema baseado nas leis islâmicas da ‘sharia’.
  3. • Em janeiro de 2013, rebeldes armados, com ideais bastante heterogêneos, iniciam uma ofensiva em direção ao sul do Mali, e o presidente interino, Dioncounda Traoré, pede socorro à França.
  4. • Com o aval das Nações Unidas, François Hollande envia tropas francesas e dá início a operações aéreas contra os salafistas, numa declarada guerra contra o terrorismo.

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“Timbuktu foi libertada”, disseram as autoridades. Cerca de 250 paraquedistas enviados à cidade teriam tomado imediatamente o controle dos principais pontos estratégicos da região, sem encontrar qualquer oposição dos islamitas que a tinham mantido em seu poder.

O coronel francês Thierry Burkhard, porta-voz militar em Paris, disse que o aeroporto foi controlado sem que fosse necessário disparar nenhum tiro. “Houve uma operação em Timbuktu na noite passada que nos permitiu controlar o acesso à cidade”, afirmou.

Aparentemente, os rebeldes teriam fugido para a cidade de Kidal, no noroeste. Antes da fuga, no entanto, atearam fogo a algumas casas e agrediram seus moradores. Também incendiaram uma livraria que guardava manuscritos históricos.

Até agora, a intervenção francesa no Mali envolveu pouco confronto. Mas refugiados que fugiram com o avanço dos rebeldes acreditam que é apenas uma questão de tempo para os jihadistas retornarem. “Eles não foram longe. Estão em localidades próximas”, disse um professor de 28 anos ao jornal inglês The Guardian. Ele deixou sua casa em Gao em abril do ano passado e hoje vive em um campo de refugiados controlado pelo governo em Sevare, ao lado de outras 4.000 pessoas que fugiram de cidades tomadas por milícias.

A partir de agora, o contingente militar da Comunidade Econômica de Estados do África Ocidental deve tomar o comando das tropas francesas em Timbuktu. Para esta segunda-feira está prevista uma reunião entre representantes do Ministério da Defesa do Mali e de departamentos de segurança para elaborar o plano de envio de 400 policiais a Gao e Timbuktu.

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(Com agência EFE)