Força-tarefa busca sobreviventes após terremoto que matou 13 pessoas no Japão
A região de Kumamoto, já marcada por abalos sísmicos, sofre com danos extensos, interrupção de serviços e mais de 9 mil desabrigados
Equipes de emergência no Japão continuaram as buscas, nesta quarta-feira, 29, por possíveis sobreviventes entre os escombros de um shopping que desabou devido a um terremoto que matou pelo menos 13 pessoas na véspera.
Uma explosão foi registrada no shopping quase 50 minutos depois do terremoto de magnitude 7,1, na terça-feira 28, na prefeitura de Kumamoto. Lá, em 2016, dois terremotos deixaram quase 300 mortos.
O tremor na ilha de Kyushu provocou danos generalizados, derrubou residências, provocou incêndios e deixou dezenas de pessoas sem acesso à energia elétrica e ao fornecimento de água.
Akio Yoshika, presidente da empresa operadora do shopping center Aeon, disse que três pessoas morreram no local, na cidade de Kashima. Ele acrescentou que há três desaparecidos e uma pessoa em parada cardiorrespiratória.
“A causa (da explosão) está sendo investigada, mas possivelmente foi provocada por gás”, declarou Keiji Ohno, executivo da Aeon.
As autoridades também confirmaram cinco mortes e quatro pessoas desaparecidas na fábrica da Nippon Paper Industries em Yatsushiro, onde uma chaminé desabou.
Outras nove pessoas continuam desaparecidas na região, informaram as autoridades.
Mais 100 policiais, 450 bombeiros e 170 soldados participam da força-tarefa mobilizada no Aeon Mall, segundo o porta-voz do governo, Minoru Kihara. No total, o Exército japonês mobilizou 3.600 pessoas para as operações de resgate e enviou 20 aviões para avaliar os danos.
Abrigos
Mais de 9 mil pessoas passaram a noite em 506 abrigos, de acordo com o governo japonês, que também divulgou um balanço de sete pessoas gravemente feridas e 29 com ferimentos leves nas porções afetadas pelo tremor.
O terremoto, que ocorreu às 16h27 locais na ilha de Kyushu, atingiu o nível máximo (sete) na escala de intensidade sísmica de Shindo, uma referência japonesa que mede a força dos terremotos, informou a Agência Meteorológica do Japão (JMA).
Imagens de vários canais de televisão mostraram focos de incêndio, pontes rodoviárias parcialmente destruídas, edifícios que desabaram e vagões de trens de carga tombados. A circulação dos trens de alta velocidade foi suspensa na região.
“Foi o terremoto mais violento que já senti. As paredes e janelas ficaram danificadas. A porta principal, declarada patrimônio cultural nacional, desabou”, lamentou Kanzo Matsumoto, de 73 anos, gerente de um hotel de águas termais em Yatsushiro. “O fornecimento de água foi cortado e não estamos recebendo hóspedes. Temo que tenha um grande impacto no nosso turismo”, completou.
A emissora pública NHK informou que dois hospitais atenderam pelo menos 50 pacientes feridos cada. “Estão chegando pessoas com queimaduras e fraturas depois que ficaram presas sob escombros devido ao terremoto. As ambulâncias não param de trazer feridos”, declarou um funcionário de um hospital.
Sem luz
A Autoridade Reguladora Nuclear do Japão enfatizou que não detectou nenhuma anomalia imediata nas usinas nucleares da região. No entanto, nesta quarta-feira, 36.880 residências e instalações ainda estavam sem energia elétrica na prefeitura de Kumamoto, segundo a empresa Kyushu Electric Power.
Kumamoto foi afetada em 2016 por dois terremotos devastadores: um de magnitude 6,5, seguido dois dias depois por outro de magnitude 7,3. Os tremores deixaram 273 mortes e mais de 2.800 feridos.
O Japão é um dos países mais expostos a terremotos no mundo por estar localizado na união de quatro grandes placas tectônicas ao longo da borda ocidental do “Círculo de Fogo” do Pacífico.
O país continua marcado pela lembrança do gigantesco terremoto submarino de magnitude 9,0 de 2011, que desencadeou um tsunami devastador, com quase 18.500 mortos ou desaparecidos, e uma catástrofe na usina nuclear de Fukushima.






