Fonte de tensão no Oriente Médio, hutis atacam forças oficiais do Iêmen e matam mais de 60
Grupo rebelde pró-Irã diz ter agido em resposta à colaboração militar do governo local com a Arábia Saudita, gerando o episódio mais letal desde trégua de 2022
Ataques com drones e mísseis realizados por rebeldes hutis mataram mais de 60 pessoas no Iêmen na madrugada desta sexta-feira, 7, em sua maioria integrantes das forças militares oficiais do país. Foi o episódio mais letal desde a trégua firmada entre a milícia apoiada pelo Irã e o governo iemenita internacionalmente reconhecido, em 2022, elevando a fervura do caldeirão de tensões no Oriente Médio.
O ministro da Saúde do Iêmen, Qasim Buhaibeh, afirmou no X (ex-Twitter) que disparos de projéteis contra bairros residenciais e campos de deslocados em Marib, cidade no centro do país controlada pelo governo, também deixaram ao menos dois civis mortos e outros 14 feridos. Já o chefe da pasta da Defesa, o tenente-general Taher al-Aqili, prometeu que as Forças Armadas responderão a essa “agressão no momento e no local apropriados”.
De acordo com uma fonte militar ouvida pela agência de notícias AFP, um acampamento do Exército iemenita na região de Al-Ruwaik, em Marib, foi atingido, assim como bases nas áreas de Al-Abr e Al-Wadiah, em Hadramaut, próximo à fronteira com a Arábia Saudita. Soldados também morreram em um ataque com drones no centro do Iêmen.
Nova frente de batalha no Oriente Médio
Os hutis, financiados e armados pelo Irã, afirmaram ter agido em resposta ao reforço recente, segundo eles, das tropas iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita, aliada de Washington.
“Nossas forças armadas realizaram uma operação de grande escala contra concentrações de tropas inimigas”, disse um porta-voz do grupo, Yahya Saree, ao denunciar um “grande reforço militar saudita”. Ele também advertiu que os rebeldes permanecem “prontos em caso de escalada”.
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Os rebeldes também atacaram na quinta-feira 6 infraestruturas na Arábia Saudita, que revidou. As trocas de disparos deixaram 11 civis feridos, informou a coalizão liderada por Riade. Entre eles estão sete sauditas, incluindo uma criança de quatro anos, além de dois egípcios, um iemenita e um paquistanês, detalhou o porta-voz da coalizão, o general Turki al-Malki, em comunicado divulgado pela agência oficial.
Mergulhado em um conflito há mais de uma década, o Iêmen tornou-se no mês passado a mais recente frente da disputa entre Estados Unidos e Irã, após os hutis romperem a trégua de 2022 com o governo iemenita. Os rebeldes atacaram petroleiros sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, no contexto do bloqueio que anunciaram em julho contra a frota saudita. A medida ameaça a capacidade da Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, de transportar sua produção para os mercados internacionais, após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
As hostilidades ocorrem após a recente tentativa de aterrissagem em Sanaa de um avião iraniano procedente de Teerã, que desafiou a hegemonia saudita sobre o espaço aéreo iemenita.
Guerra civil
Os ataques desta sexta-feira foram os mais letais desde o cessar-fogo de 2022, que encerrou mais de sete anos de uma guerra devastadora no país mais pobre da Península Arábica.
Os hutis estão em guerra com o governo desde 2014, em um conflito que causou centenas de milhares de mortes e provocou uma grave crise humanitária no Iêmen.
Os rebeldes controlam Sanaa e grande parte do norte do país, enquanto o governo reconhecido internacionalmente domina grande parte do sul.







