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Final de semana na Europa é marcado por protestos

Manifestações tomaram a França pelo quinto sábado seguido, apesar de apelos do governo depois de atentado em mercado de Natal

Por Da Redação Atualizado em 17 dez 2018, 12h30 - Publicado em 17 dez 2018, 12h26

O sábado 15 foi marcado por mais protestos na França. Pelo quinto final de semana seguido, atos tomaram Paris e mais cinco cidades do país, ignorando os pedidos de suspensão do governo depois do ataque ao mercado de Estrasburgo, em que cinco pessoas foram mortas. A agitação foi uma das várias que tomaram a Europa ao longo do final de semana, com protestos também na Hungria e na Bélgica.

Segundo o ministro do interior francês, Édouard Philippe, o número de manifestantes foi estimado em 33.500 pessoas, metade do contingente da semana passada. 

A polícia de Paris disse que menos de 3.000 pessoas se reuniram na capital, em passeata mais pacífica que a das outras semanas. Foram 46 presos, em comparação aos 335 no sábado 8.

O ministro declarou que 69.000 policiais foram convocados, com presença reforçada em Toulouse, Bordeaux e Saint-Etienne. Na capital francesa, apesar da atenção redobrada, lojas grandes como a Galeria Lafayette abriram para as compras de Natal.

Na Champs-Élysées, ativistas do grupo Femen enfrentaram as forças de segurança durante um protesto com topless, a poucos metros do Palácio do Eliseu, residência oficial do presidente Emmanuel Macron.

Os protestos começaram no dia 17 de novembro contra o aumento em taxas sobre combustíveis, mas se tornaram uma revolta sobre padrões de vida na França e a indiferença de Macron a problemas sociais de diversos grupos.

Lei da Escravidão

No domingo 16, cerca de 15 mil húngaros também foram as ruas de Budapeste, marcando o quarto dia de manifestações contra o governo de direita do primeiro-ministro Viktor Orban, que vem em uma crescente autoritária. 

O protesto contra Orban, chamado pelos organizadores de “Feliz Natal Senhor Primeiro Ministro”, foi o maior movimento organizado por partidos esquerdistas de oposição, formado majoritariamente por estudantes e civis. Sindicatos também se juntaram ao protesto.

Manifestantes carregavam bandeiras da Hungria e da União Europeia conforme caminhavam pela histórica Praça dos Herois rumo ao parlamento. Os húngaros protestam contra o que chamam de “lei da escravidão”, que permite a empregadores exigir até 400 horas-extras ao ano e atrasar salários por até três anos.

  • Ao chegar às instalações da rede pública de televisão, líderes do grupo esperavam ler uma declaração ao vivo, sendo impedidos de última hora. Eles passaram então a arremessar bombas de fumaça, que a polícia retaliou com gás lacrimogênio. O governo também aprovou uma lei para estabelecer novos tribunais administrativos, subordinados ao governo, que cuidarão de temas sensíveis como a lei eleitoral, protestos e acusações de corrupção.

    Em resposta, faixas da passeata levavam mensagens como “Tudo que quero de Natal é democracia” e “Justiça independente”.

    Os protestos são os primeiros a unir todos os partidos de oposição, do ambientalista ao de direita, desde que Orban assumiu o poder em 2010. É a ação mais violenta na Hungria em 10 anos, com dezenas de pessoas presas e muitos policiais feridos.

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    O primeiro-ministro foi reeleito em abril deste ano, apoiado em uma campanha fortemente anti-imigração, enfrentando uma oposição fraca e fragmentada.

    A mídia pró-Orban mostra as manifestações como outra manobra do empresário húngaro-americano George Soros, frequentemente usado pelo governante como bode expiatório. No início deste mês, seu governo forçou a Universidade Central Européia, uma escola particular de pós-graduação fundada por Soros, a deixar a Hungria, como parte da luta de anos do político contra o bilionário.

    Orban tem entrado em conflito frequente com Bruxelas à medida que estabelece um sistema que seus críticos veem como autocrático, aumentando seu controle sobre a Justiça e a imprensa.

    Bruxelas

    Na capital belga, um protesto contra o pacto de migração das Nações Unidas terminou em violência quando parte dos manifestantes tentou invadir o prédio da Comissão Europeia. Cerca de 5.500 pessoas caminhavam em passeata organizada por partidos de direita no domingo 16.

    O ato era uma resposta ao pacto apoiado por mais de 150 países, incluindo a Bélgica, durante conferência da ONU em Marrakech, no Marrocos, na última semana. O acordo provocou uma ruptura dentro do governo do país, e levou o partido nacionalista N-VA a deixar a coalizão governista do primeiro-ministro Charles Michel.

    90 pessoas foram detidas e jatos d’água e gás de pimenta foram usados para dispersar manifestantes que jogavam pedras em policiais, quebrando uma janela do prédio da Comissão Europeia, detalhou o jornal De Morgen.

    Outras 1.000 pessoas marcharam em contrariedade ao ato organizado pelo N-VA.

    O prefeito Philippe Close agradeceu às forças de segurança: “Obrigada aos serviços policiais por assegurarem a ordem em nossa bela cidade mais uma vez.”

    Os termos, que não têm validade legal, buscam uma abordagem a imigração que “reafirme a soberania dos Estados ao determinar sua política nacional”, e destaca a importância “fundamental” da migração legal.

    Críticos defendem que o pacto incentivaria a entrada no continente.

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