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Filipinas procuram por centenas de desaparecidos em mar e terra

Eric San Juan.

Cagayan de Oro (Filipinas), 18 dez (EFE).- As equipes de resgate procuram neste domingo no mar e nos territórios alagados centenas de desaparecidos após as inundações que afetam o sul das Filipinas, quando o número mortes confirmadas chega a 539.

A Cruz Vermelha local contabiliza 370 desaparecidos, enquanto listas do Centro Nacional de Prevenção e Resposta aos Desastres 281. A diferença nos dados se deve a dificuldade de obter informações exatas devido à extensão dos danos causados pela tempestade tropical ‘Washi’ nas regiões de Mindanao e Visayas.

Há áreas onde as equipes de resgate não começaram a entrar até este domingo e outras zonas onde ainda há casas submersas que ninguém revisou.

Uma mulher relatou à rádio local que quando o nível de água começou a subir na sexta-feira ela abraçou-se a uma boia com vizinhos e todos foram arrastados pela correnteza, parando somente em uma praia distante 32 quilômetros dali.

Mais de 80 corpos foram encontrados nas praias das províncias de Misamis Oriental e Lanao del Norte. Até o momento, 252 pessoas morreram no povoado de Cagayan de Oro, assim como 195 na cidade de Iligan, 57 na província de Bukidnon, 27 na província de Negros, cinco na província de Compostela Valley e os últimos três na província de Zamboanga del Norte.

Cagayan de Oro, com 500 mil habitantes, é a capital de Misamis Oriental, enquanto Iligan, com 318 mil, pertence a Lanao del Norte.

O número de desabrigados é de 106.476 pessoas, dos quais 34.911 estão em 30 abrigos, de acordo com o Conselho Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres.

O diretor da agência, Benito Ramos, indicou que os desabrigados precisam com urgência de água potável e que depois precisarão de assistência para reconstruir suas vidas.

A Cruz Vermelha local calcula que as pessoas que precisam de ajuda alcance 400 mil.

Cely Asinero e sua família abandonaram a casa quando o nível da água alcançou 1 metro de altura e buscaram refúgio na casa de seu irmão, relatou a edição do jornal local ‘Inquirer’.

Eles acreditaram que nessa casa, de dois pavimentos e a mais alta da aldeia, estariam a salvo, mas tiveram de fazer um buraco no teto para subir para o telhado, onde tiveram de se amarrar a lençóis.

Até agora, todos os corpos examinados morreram afogados, a exceção foram cinco em Compostela Valley, que morreram soterrados em um deslizamento de terra. Os mortos eram a família de Rosita de la Peña, de 57 anos, e do mineiro Julio Limactod, e os três filhos do casal, de quatro, seis e 14 anos.

Enquanto os corpos se acumulam nas funerárias de Cagayan de Oro e não podem ser embalsamados porque primeiro é preciso restabelecer o serviço de água, a imprensa local, analistas e parte da população se enredaram em uma batalha dialética com as autoridades sobre de quem foi a culpa pela catástrofe.

‘Com um dia de antecedência não é suficiente (…) Os primeiros boletins da tempestade são de quinta-feira, com uma previsão de que atingiria as Filipinas no sábado e no domingo’, comentou a colunista Nini B. Cabaero no ‘Sun Star’.

‘Mas na quinta-feira à noite, as chuvas começaram e encontraram desprevenidas as famílias em várias províncias de Visayas e Mindanao’, acrescentou.

As autoridades sustentam que a culpa é da população porque não saiu apesar dos alertas oficiais.

‘Mindanao não é uma área habitual de tufões e muitos moradores foram surpreendidos sem terem se preparado’, afirmou o presidente da Cruz Vermelha local, Richard Gordon, quem deve viajar para região afetada na segunda-feira.

Entre a tarde de sexta-feira e a madrugada do sábado, ‘Washi’ descarregou em Mindanao mais quantidade de água que tudo a recolhida na região durante um mês da estação chuvosa.

Os especialistas das agências internacionais culpam a favelização como o principal fator do grande número de vítimas causadas no país pelos desastres naturais e que evidenciam o mal estado das infraestruturas.

O incontrolado desmatamento também favorece as enchentes e os deslizamentos de terra que são frequentes durante a estação chuvosa, que no geral começa em maio e se estende até novembro. EFE