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Filipinas preparam valas comuns para enterrar vítimas das enchentes

Eric San Juan.

Cagayan de Oro, 19 dez (EFE).- As autoridades de Cagayan de Oro, cidade localizada no sul das Filipinas, prepararam nesta segunda-feira uma série de valas comuns para enterrar os mortos que estão nos necrotérios e nas dependências oficiais locais, após a devastadora tempestade tropical que atingiu a região.

‘É impossível enterrar todos os mortos um por um. Está sendo muito difícil identificá-los. Estamos construindo um depósito comum para realizar um enterro nesta terça-feira, que será concluído em um prazo de quatro dias’, afirmou à Agência Efe Vicente Emano, prefeito de Cagayan de Oro.

Até o momento, a Prefeitura local contabilizou cerca de 200 corpos, que foram encontrados em diferentes lugares da cidade e permaneciam sem identificação.

Segundo a Cruz Vermelha filipina, a tempestade tropical ‘Washi’ provocou a morte de 713 pessoas em sua passagem pelo norte da ilha de Mindanao. No entanto, este número tende a aumentar, já que cerca de 563 pessoas ainda estão desaparecidas, sendo que muitas delas foram arrastadas pela força da água enquanto dormiam.

Os moradores da localidade de Jasaan avisaram as autoridades nesta segunda-feira que 45 corpos também foram encontrados flutuando no rio Cagayan.

Já no modesto bairro de Consolacion, situado em uma das margens do rio Cagayan, um grupo de moradores tentavam encontrar possíveis vítimas entre os escombros das mesmas casas que habitavam até ocorrer o desastre.

‘Sentimos um cheiro muito forte neste local e achamos que há pessoas mortas embaixo dos escombros’, disse Rhabin, um motorista de taxi, de 39 anos, que tentava remover com suas próprias mãos pedaços de madeiras e lâminas de fibra de vidro.

Na porta da pequena Prefeitura do bairro, na frente de todo mundo, encontrava-se o corpo de uma menina com aproximadamente oito anos, a qual ainda não havia sido procurada pelos pais. Aparentemente, eles também estariam entre as vítimas fatais dessa tragédia.

‘As funerárias já não aceitam mais corpos. E, por isso, temos que reunir os corpos até que estes possam ser enterrados. Pode ser que famílias inteiras tenham morrido e que os corpos tenham sido arrastados pela enchente até aqui’, assegurou Cessar Pagapolaan, capitão do bairro.

Nos necrotérios das cidades afetadas, empregados, voluntários e médicos legistas estão trabalhando em centenas de cadáveres sem identificação.

Os trabalhadores envolvem aos corpos com plásticos e fitas isolantes e os colocam em caixões que foram feitos às pressas pelos carpinteiros, já que as reservas se esgotaram em toda a região.

O legista Jesus Vinlan, por exemplo, cuida de 20 corpos em uma das salas de uma funerária. Mesmo com o uso de pós desodorantes, o forte cheiro dos corpos já começa a se espalhar para as casas vizinhas.

Os cadáveres, com os rostos enegrecidos por conta da permanência na água, se encontram identificados apenas por placas numéricas e permanecem sobre um leito de lodo e sangue, todos em condições insalubres.

Da mesma forma que as casas de grande parte da cidade, que desde o último sábado não recebem água, as funerárias também dependem do fornecimento de caminhões-pipa, que foram contratados pelas autoridades locais.

Desde o último sábado, cerca de 50 mil habitantes do bairro da Consolacion receberam 9 mil litros, quase 1,8 litro por pessoa. O que o hospital municipal recebe quase não cobre as necessidades dos 500 doentes e feridos que se encontram nas salas de espera e dos corredores.

‘Por enquanto não estamos em colapso, mas a falta de água é o principal problema. Suspendemos todas as operações cirúrgicas que não são de emergência, já que as condições higiênicas não são adequadas’, apontou o médico Ramon Moreno, diretor do centro hospitalar.

A maior parte dos pacientes é atendida com fraturas sofridas durante a enchente, mas os médicos temem que na próxima semana muitos casos de infecções comecem a aparecer devido à falta de higiene.

Centenas de voluntários iniciaram uma campanha de vacinação em massa, além de terem começado a distribuir anticépticos e antibióticos para população. ‘Estou pagando esses remédios do meu bolso’, disse Sheena Cobillas, uma enfermeira de 22 anos.

Os remédios, a roupa e a comida estão em falta nos 47 centros hospitalares que amparam 45.181 dos 167.460 desabrigados pelas enchentes, de acordo com informações do Conselho Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres.

Entre a tarde da última sexta-feira e a madrugada do último sábado, ‘Washi’ descarregou em Mindanao uma quantidade de água superior a tudo o que choveu na região durante todo este mês da estação chuvosa.

Os especialistas das agências internacionais apontam a favelização como o principal fator pelo grande número de vítimas que os desastres naturais causam no país, os quais podem evidenciar a falta de todas as infraestruturas.

O desmatamento incontrolado também favorece as enchentes e avalanches de terra, muito frequentes durante esta estação de chuvas, a qual começa em maio e termina somente em novembro. EFE