Filho de Trump confirma que teve parte do casamento bancado por oligarca ligado a Putin
Umar Kremlev teria arcado com aluguel de uma ilha e outras despesas da festa de três dias do filho do presidente dos EUA nas Bahamas
O casamento de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente dos Estados Unidos, com a socialite Bettina Anderson, realizado em maio deste ano nas Bahamas, teve parte das celebrações financiadas pelo empresário russo Umar Kremlev, próximo ao presidente Vladimir Putin. A informação foi confirmada pelo casal nesta segunda-feira, 14.
A revelação foi feita inicialmente pela ProPublica, uma organização norte-americana sem fins lucrativos de jornalismo investigativo, que ouviu três pessoas familiarizadas com o evento e consultou documentos relacionados à festa. Segundo a investigação, Kremlev gastou centenas de milhares de dólares para custear despesas da celebração, que durou três dias e reuniu cerca de 50 convidados em duas ilhas privadas.
Entre os gastos atribuídos ao empresário estão o aluguel de uma das ilhas, utilizada para uma recepção e para hospedar parte dos convidados, além de outras despesas de grande porte, como um espetáculo de fogos de artifício.
Após a publicação da reportagem, Trump Jr. e Bettina confirmaram a participação financeira de Kremlev em uma declaração publicada na conta da socialite no Instagram. Os dois classificaram o pagamento como um “presente de casamento” feito por um amigo e disseram ser “incrivelmente gratos” pela generosidade.
O casal também rejeitou a possibilidade de que a contribuição tenha tido motivação política. Segundo eles, uma amizade não precisa necessariamente ter uma razão política e um presente não implica, por si só, uma agenda oculta.
Relação com Putin
Kremlev é presidente da Associação Internacional de Boxe (IBA), entidade esportiva apoiada pela estatal russa de energia Gazprom. De acordo com a ProPublica, os recursos utilizados para algumas das despesas do casamento saíram de uma organização ligada à IBA, sediada em Dubai e utilizada pela entidade em operações financeiras.
A proximidade do empresário com Putin também ficou evidente nos meses que antecederam a festa. Kremlev integrou uma delegação que acompanhou o presidente russo durante uma viagem à China e, em abril, recebeu de Putin a Ordem da Amizade, uma das condecorações concedidas pelo governo da Rússia.
O governo da Ucrânia também impôs sanções a Kremlev, citando sua proximidade com Putin e com os serviços de segurança russos.
Reação nos EUA
A revelação provocou questionamentos entre políticos americanos. Robert Garcia, principal democrata na Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, cobrou explicações sobre a relação entre o empresário russo e a família Trump.
A principal questão levantada é se o pagamento foi apenas um gesto pessoal ou se poderia representar uma tentativa de aproximação com a família do presidente americano.
Trump Jr. se tornou nos últimos anos uma figura de destaque no círculo político do pai e um dos mais ativos defensores de Donald Trump. Seu nome chegou a ser mencionado como possível sucessor político do presidente.
Para Donald Sherman, presidente da organização americana Citizens for Responsibility and Ethics in Washington (CREW), o episódio reforça a necessidade de maior transparência financeira envolvendo familiares adultos de presidentes americanos. Segundo ele, seria importante determinar se presentes de alto valor oferecidos por pessoas ligadas a governos estrangeiros são resultado de relações pessoais ou de uma tentativa de influência.
Antes da confirmação pública, um porta-voz de Trump Jr. já havia afirmado que Kremlev era um “amigo pessoal” do filho do presidente e negado a existência de qualquer relação comercial entre os dois. Segundo o representante, eles teriam se conhecido por intermédio de um amigo em comum ligado ao universo da caça.
A revelação provocou questionamentos entre políticos americanos. Robert Garcia, principal democrata na Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, cobrou explicações sobre a relação entre o empresário russo e a família Trump.
A principal questão levantada é se o pagamento foi apenas um gesto pessoal ou se poderia representar uma tentativa de aproximação com a família do presidente americano.
Trump Jr. se tornou nos últimos anos uma figura de destaque no círculo político do pai e um dos mais ativos defensores de Donald Trump. Seu nome chegou a ser mencionado como possível sucessor político do presidente.
Para Donald Sherman, presidente da organização americana Citizens for Responsibility and Ethics in Washington (CREW), o episódio reforça a necessidade de maior transparência financeira envolvendo familiares adultos de presidentes americanos. Segundo ele, seria importante determinar se presentes de alto valor oferecidos por pessoas ligadas a governos estrangeiros são resultado de relações pessoais ou de uma tentativa de influência.
Antes da confirmação pública, um porta-voz de Trump Jr. já havia afirmado que Kremlev era um “amigo pessoal” do filho do presidente e negado a existência de qualquer relação comercial entre os dois. Segundo o representante, eles teriam se conhecido por intermédio de um amigo em comum ligado ao universo da caça.
Casamento nas Bahamas
A celebração de Trump Jr. e Bettina ocorreu durante três dias e teve como cenário duas ilhas privadas. Apesar da grandiosidade da festa, a lista de convidados era relativamente restrita, formada principalmente por familiares, amigos e parceiros de negócios do casal.
Donald Trump não participou do casamento. Dias antes da cerimônia, o presidente afirmou a jornalistas que se trataria de uma celebração pequena e privada e que não pretendia viajar diante da situação envolvendo o Irã e de outras questões do governo.







