Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Fernández a Bolsonaro: proposta de relação bilateral ‘ambiciosa’

Ao ser empossado, presidente argentino emite sinal de diálogo para Brasília e propõe fortalecimento do Mercosul

Por Denise Chrispim Marin - Atualizado em 10 dez 2019, 14h14 - Publicado em 10 dez 2019, 14h04

Ao tomar posse como presidente da Argentina, o peronista Alberto Fernández fez questão de mencionar explicitamente a relação de seu país com o Brasil no seu discurso de posse, como um sinal de paz para o governo de Jair Bolsonaro. Nesta terça-feira, no Congresso nacional, ele propôs a construção de uma agenda bilateral ambiciosa, que “vá além das pessoas que governam nesta conjuntura”, e o fortalecimento do Mercosul.

O governo brasileiro foi representado na cerimônia pelo vice-presidente Hamilton Mourão. O general foi indicado para a missão apenas na véspera, em uma correção de rumo depois de ter sido anunciado que o país somente enviaria para a posse o seu embaixador em Buenos Aires, Sérgio Danese.

Fernández, entretanto, fez questão também de mencionar o telefonema recebido do presidente do Chile, Sebastián Piñera, que teve de cancelar sua presença em Buenos Aires por causa da queda de um avião da Força Aérea chilena. Bolsonaro não ligou para cumprimentá-lo por sua vitória eleitoral, em 27 de outubro, e tampouco fez nenhum gesto protocolar de boa vontade para o novo governante.

Bolsonaro intrometeu-se na campanha eleitoral argentina ao apoiar claramente a candidatura de Maurício Macri à reeleição. Chegou a chamar Fernández e sua candidata a vice, a ex-presidente Cristina Kirchner de “bandidos”, lamentou a vitória da chapa peronista e ameaçou com a retirada do Brasil do Mercosul.

Publicidade

Em seu discurso, o novo presidente afirmou com veemência seu propósito de promover o desenvolvimento dos setores produtivos argentinos, castigados por sucessivas políticas econômicas equivocadas. Não deu nenhum sinal sobre como lidará com as pressões do Brasil em prol da redução das alíquotas previstas na Tarifa Externa Comum (TEC), do Mercosul. Mas afirmou que pretende promover uma “integração plural e global” da economia argentina, “com raízes no interesse nacional”.

Publicidade