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Favorito nas eleições presidenciais, Sisi vira jogo de celular

Militar que comandou o golpe contra o presidente Mohamed Mursi também tem o rosto estampado em camisetas, embalagens e até em chocolates

Por Da Redação - 11 abr 2014, 20h40

O homem que comandou o golpe contra Mohamed Mursi em julho do ano passado e que é favorito absoluto nas eleições presidenciais do Egito, no final de maio, agora também aparece como super-herói em um jogo desenvolvido para celulares com sistema Android. No game, o marechal Abdel Fattah Sisi pilota um avião e sobrevoa o Cairo. Sua ‘heroica’ missão: salvar o país e desviar de bombas lançadas contra ele.

O jogo é a última novidade criada para cultuar a imagem do marechal, que tem comandado de fato o país desde a queda de Mursi – um governo interino foi instalado até as eleições e o novo texto constitucional garantiu que os militares voltassem a usufruir um poder político e econômico similares ao desfrutado em décadas anteriores. No período em que foi realizada a consulta popular que aprovou a nova Carta, a foto onipresente nos cartazes de rua era a do então general. Nos centros de votação, tocava-se continuamente uma música ufanista em agradecimento aos militares, cantada por artistas famosos. O rosto de Sisi também já estampou camisetas, broches e propaganda em embalagens de fast-food a chocolates.

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O general removeu a Irmandade Muçulmana do poder – o grupo radical islâmico levou Mursi à vitória nas eleições de 2012 -, com o apoio da população, que foi às ruas contra o autoritarismo do presidente. Entre dois governos autoritários, os egípcios optaram por aquele que lhes pareceu mais apto a impor a ordem. Manifestações contra a derrubada de Mursi foram duramente reprimidas, o que resultou em centenas de mortes e a Irmandade foi classificada como grupo terrorista.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, a última pesquisa eleitoral feita pela Baseera, a principal empresa do ramo no país, divulgou que 39% dos eleitores votariam em Sisi nas eleições presidenciais. Os grandes adversários do marechal seriam Mortada Mansour, um dirigente do futebol egípcio de direita, e Hamdeen Sabbahi, um esquerdista que molda sua imagem em torno do ditador Gamal Abdel Nasser, que governou o Egito entre 1954 e 1970, e cultivava a obsessão de unir o mundo árabe sob sua liderança.

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