Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Favorito Joe Biden é alvo principal em debate democrata

A segunda noite de debates de pré-candidatos em Detroit foi mais intensa do que a de terça e teve o ex-vice-presidente como alvo principal dos adversários

Por Lúcia Guimarães - 1 ago 2019, 01h49

O ex-vice-presidente Joe Biden e pré-candidato favorito nas pesquisas enfrentou artilharia dos nove outros democratas que participaram da segunda noite de debates na rede CNN. Biden, que tem uma carreira política de cinco décadas, foi criticado por sua história legislativa, em justiça criminal e relações raciais, e em imigração como número dois de Barack Obama, o presidente que deportou muito mais imigrantes sem documentos do que Donald Trump.

Depois de uma estreia fraca no primeiro debate, em junho, quando foi surpreendido por um ataque de Kamala Harris, Biden reagiu em defesa de sua história política e suas propostas de campanha. A senadora e ex-procuradora-geral do estado da Califórnia acusou Biden, em junho,  de ser contra o transporte obrigatório de alunos negros para escolas no período pós-segregação.

Biden foi o primeiro a ser chamado ao palco do debate no teatro Fox, de Detroit, seguido de Kamala Harris. Quando Harris se aproximou para cumprimenta-lo, Biden disse, “Pega leva comigo, menina.” Ambos não pegaram leve um com o outro e foram os pré-candidatos mais ouvidos da noite.

Uma surpresa do debate foi a energia do Senador Corry Booker, ex-prefeito negro da cidade de Newark, em New Jersey. Apesar de uma reputação controversa, na área de policiamento e direitos civis, Booker encostou Biden na parede, por ter votado, em 1994, por leis severas de combate ao crime que resultaram no encarceramento desproporcional de negros americanos. Booker não está entre os cinco democratas com melhores números nas pesquisas.

Publicidade

Formato

As duas noites de debates tiveram derrotados certos, os eleitores. O formato imposto pela rede CNN, de respostas curtas e réplicas de 15 segundos se assemelha mais a um game show do que a um debate sobre o destino do país, do comércio e da segurança globais. Apenas 6 dos 180 minutos de debates foram dedicados pela CNN a perguntas sobre política externa, com foco nas guerras no Iraque e Afeganistão.

Política como esporte

Boa parte da cobertura política americana continua reduzindo a campanha a esporte. Elege favoritos “viáveis” e os coloca contra os azarões. Cola rótulos ideológicos que eliminam nuances de propostas políticas. Comentaristas se comportam como psicólogos dos eleitores com base em pesquisas díspares e ainda muito distantes da eleição geral. Tudo isso apesar da falha em detectar o furacão Trump, em 2016.

Publicidade

Perguntas com ênfase em conflito dificultam a apresentação para o público de plataformas que não podem ser resumidas em tuítes. Na primeira noite, o confronto esperado entre os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren não aconteceu, num sinal de que ambos decidiram não morder a isca do racha ideológico e preferiram proteger o território progressista comum que ocupam, especialmente sobre seguro saúde e impostos.

Se Joe Biden, apesar de ausente, foi beneficiado pelo clima tépido do primeiro debate com dez pré-candidatos na terça-feira, 30, a senadora Elizabeth Warren, ausente no debate da quarta, pode ter sido a beneficiada no balanço geral das duas noites. Ela mostrou resistência a ataques, energia e foco em sua plataforma política, a mais detalhada do numeroso campo democrata, Se, como dizem as pesquisas, os eleitores democratas querem, acima de tudo, um candidato capaz de derrotar Donald Trump em novembro de 2020, Warren, nos debates até agora, foi quem demonstrou maior confiança e capacidade de articulação.

Publicidade