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Fatores técnicos e humanos provocaram acidente do voo Rio-Paris

Por Ho
5 jul 2012, 12h41

O acidente com o voo da Air France Rio-Paris de 1º de junho de 2009, no qual morreram 228 pessoas, foi provocado por falhas técnicas e humanas, segundo o relatório oficial do Escritório de Investigação e Análises francês (BEA) e da aviação civil.

As conclusões deste relatório de 356 páginas começam com a descrição da perda do controle e de sustentação da aeronave. De acordo com os especialistas do organismo oficial francês, que divulgou suas conclusões nesta quinta-feira, ocorreram problemas técnicos derivados da ergonomia do avião (um Airbus A330), e também humanos, consequência das ações dos pilotos, que sofreram muito estresse.

Em relação ao ponto de origem da catástrofe, o BEA assinala definitivamente o congelamento das sondas de velocidade Pitot (fabricadas pela firma Thales), que levou a uma incoerência temporária entre as velocidades medidas.

“A tripulação estava num estado de perda quase total da situação”, declarou, em coletiva de imprensa, Alain Bouillard, diretor da investigação.

Os investigadores falam de uma má gestão do fator surpresa e de uma incompreensão total da situação, e assinalam igualmente uma falta de formação.

O BEA emitiu 41 recomendações de segurança, 25 delas novas em relação a seu relatório de julho de 2011. Estas recomendações estão dirigidas tanto à companhia aérea como ao fabricante da aeronave.

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O organismo insiste, em particular, na importância “da formação e do treinamento dos pilotos, para que tenham um melhor conhecimento dos sistemas do avião em caso situação inabitual”.

“Oito recomendações dizem respeito à formação dos pilotos e cinco à certificação dos aviões, afirmou o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec.

Segundo Troadec, no entanto, o acidente com o Airbus A330 poderia sem dúvida acontecer com qualquer outra tripulação.

“Se o BEA achasse que este acidente foi devido somente à tripulação, não teria feito recomendações sobre os sistemas, sobre a formação etc. O que quer dizer que este acidente poderia ter acontecido com outras tripulações”, afirmou à imprensa.

“Dois acontecimento levaram ao acidente: a obstrução das sondas de velocidade Pitot e o não reconhecimento do descontrole do avião”, acrescentou.

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Logo após a divulgação do relatório, a Airbus comprometeu-se a adotar todas as medidas necessárias para melhorar as condições de segurança aérea.

“A Airbus adotará todas as medidas que permitirão contribuir para este esforço coletivo em favor da otimização da segurança aérea”, segundo um comunicado. O grupo “já começou a trabalhar em nível industrial a fim de reforçar as exigências relativas à resistência das sondas Pitot”, acrescentou.

Por sua parte, a companhia Air France defendeu a tripulação de bordo, enfatizando que “permaneceu envolvida na direção do voo até os últimos instantes”.

“O relatório do BEA descreve uma tripulação que atua em função das informações fornecidas pelos instrumentos dos sistemas de bordo e do comportamento do avião tal como foi percebido no cockpit”, indicou a Air France em um comunicado.

“A leitura (dos datos) não permitiu a eles aplicar as ações apropriadas”, destaca o texto.

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O relatório dos especialistas judiciais sobre o acidente com o voo Rio-Paris em 2009 deve ser apresentado no dia 10 de julho às famílias, dentro do inquérito judicial em que a Air France ea Airbus foram indiciadas em fevereiro de 2011 por homicídio culposo.

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