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Farc admitem que suas ações afetaram população

É a primeira vez que a narcoguerrilha faz uma declaração do gênero; questão envolve direitos das vítimas, um dos pontos das negociações de paz

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) admitiram pela primeira vez que suas ações afetaram a população ao longo de décadas de conflito na Colômbia. “Estamos conscientes de que nem sempre os resultados foram os previstos ou esperados e assumimos suas consequências”, afirmou a narcoguerrilha em declaração divulgada nesta quinta-feira.

O grupo afirmou que a população não era o “alvo principal nem o secundário” de suas ações. Falou também em “assumir sua responsabilidade junto às vítimas”. O texto foi lido por um guerrilheiro para a imprensa em Havana, onde as Farc negociam com o governo colombiano um acordo de paz.

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Meses atrás, os negociadores haviam estabelecido que qualquer decisão sobre reparação às vítimas deveria ter como base o reconhecimento de responsabilidade, informou o jornal espanhol El País. A narcoguerrilha, contudo, negava-se a fazer essa admissão de culpa com o argumento de que suas ações foram resposta à violência do Estado. O direito das vítimas é um dos cinco pontos em discussão desde novembro de 2012. Os outros são desenvolvimento rural, participação política, narcotráfico e fim do conflito armado.

O comunicado desta quinta-feira sustenta que ‘é evidente’ que, como guerrilha, as Farc ‘intervieram de maneira ativa’ e ‘impactaram o adversário e de alguma maneira afetaram a população que viveu imersa na guerra’. Criadas na década de 60, as Farc surgiram como um movimento revolucionário e social, mas há muito se tornaram anacrônicas e enveredaram pelo banditismo – envolvimento com tráfico de drogas, sequestro, homicídios, roubos. O confronto com o governo deixou mais de 220.000 mortos e forçou o deslocamento de 5,3 milhões de pessoas ao longo de 50 anos.

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Agora, no âmbito de uma negociação arrastada, que quase custou a reeleição ao presidente Juan Manuel Santos, devido ao ceticismo da população – só 39% acreditam que haverá um pacto -, o grupo vem a público para dizer que, nos casos em que seus guerrilheiros descumpriram as normas e causaram “danos intencionais” a civis, foram adotadas sanções contra os responsáveis.

“Tornamo-nos expressamente responsáveis por todos e cada um dos atos de guerra executados por nossas unidades, conforme as ordens e instruções dadas por nosso comando e assumimos suas derivações”, disse a guerrilha.

(Com agências EFE e France-Presse)