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Familiares de vítimas do voo MH370 rejeitam confirmação oficial de acidente

Parentes temem que pagamento de indenizações signifique o fim das buscas por vestígios do avião da Malaysia Airlines desaparecido há quase um ano

Por Da Redação - 29 jan 2015, 18h07

A declaração oficial de que o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines foi um acidente não satisfez parentes das vítimas da tragédia ocorrida há quase um ano. Nesta quinta-feira, o governo da Malásia divulgou um comunicado oficializando o ‘status’ do caso e declarando que todos a bordo estão mortos. O anúncio permitirá que seja iniciado o processo de pagamento de indenizações.

Muitos familiares dos que estavam a bordo do Boeing 777, no entanto, se recusam a aceitar a posição oficial. “Eles não acharam nada. Sem ter encontrado nada, como podem fazer um anúncio assim?”, reclamou o chinês Li Jingxin, irmão de uma pessoa que estava no voo. Em entrevista à agência de notícias Associated Press, ele afirmou que sua família não vai aceitar nenhuma compensação financeira da companhia aérea neste momento.

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“Entendemos que será muito difícil para as famílias e entes queridos dos 227 passageiros e doze tripulantes a bordo solicitar e mais ainda aceitar [a indenização]”, disse o diretor do Departamento de Aviação Civil da Malásia, Azharuddin Abdul Rahman, ressaltando que é importante para os parentes “tentar retomar sua vida normal, ou o mais normal possível depois dessa perda repentina”.

Liu Jiani, moradora de Nanjing que perdeu os avós no voo, disse ao jornal The New York Times que o anúncio “não tem nenhum sentido”. “Isso só vai deixar as famílias irritadas. Isso não vai fazer com que nos sentemos para falar sobre indenização”. Ela disse estar certa de que a Malásia está escondendo informação sobre a aeronave – o que as autoridades do país negam. “Não acho que devemos discutir compensações financeiras sem que a verdade tenha sido revelada”.

A relação entre as autoridades malaias, a companhia aérea e os familiares das vítimas tem sido conturbada desde o desaparecimento da aeronave e a declaração divulgada nesta quinta não parece que vai mudar esse quadro. A Malaysia Airlines informou que entrará em contato com as famílias, mas, segundo a rede britânica BBC, muitas se recusam a iniciar o processo de indenização por medo de que as autoridades abandonem as buscas pelo avião.

Causa – As especulações sobre o que teria acontecido com o voo MH370 incluíram teses como sequestro, incêndio a bordo, ou culpa do piloto que teria alterado a rota da aeronave de maneira proposital. Rahman afirmou nesta quinta, no entanto, que sem os registros do voo, “não há indícios para sustentar qualquer especulação sobre a causa do acidente”.

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“Concluímos que o avião ficou sem combustível sobre uma área ao sul do Oceano Índico e que a aeronave está localizada no fundo do mar perto da área definida”, afirmou o diretor do DAC.

A atual fase de buscas utiliza quatro embarcações equipadas com sonares com tecnologia especial para fazer varreduras em uma área remota do Oceano Índico, na costa da cidade australiana de Perth, onde acredita-se que o Boeing tenha caído depois de sumir dos radares quando ia de Kuala Lumpur a Pequim, no dia 8 de março de 2014, com 239 pessoas a bordo.

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Indenizações – O NYT consultou o representante de uma empresa especializada em aviação que explicou um dos principais significados do anúncio feito pelo governo malaio. Segundo James Healy-Pratt, ele permitirá que familiares possam obter certidões de óbito para buscar compensações financeiras da Malaysia Airlines e a própria companhia aérea possa receber o dinheiro de seguros.

Mas há outro aspecto a ser lembrado, pontuou Healy-Pratt: “Culturalmente, essa é uma declaração altamente sensível porque havia muitas famílias para as quais, na ausência de qualquer prova de que seus entes queridos estão mortos, acreditam que eles ainda estão vivos”.

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