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Facebook excluiu milhares de perfis antes de eleição alemã

Empresa divulgou ter removido "dezenas de milhares" de contas falsas para combater a desinformação

Com a repercussão dos casos de perfis destinados a propagar “fake news” (notícias falsas) nas eleições nos Estados Unidos e França, o Facebook excluiu “dezenas de milhares” de contas falsas da rede social na Alemanha no mês que antecedeu as eleições no país.  A informação foi revelada pelo vice-presidente de Políticas Públicas para Europa, África e Oriente Médio da companhia, Richard Allan, em texto publicado no site da empresa.

“Após relatórios sobre a interferência estrangeira nas corridas presidenciais dos Estados Unidos e da França, trabalhamos juntos a oficiais alemães em uma série de iniciativas para combater a desinformação e tornar o Facebook um espaço mais seguro para o engajamento cívico”, escreveu o executivo. A companhia, de acordo com Allan, promoveu a capacitação de parlamentares alemães e candidatos ao Bundestag sobre questões de segurança digital.

O número exato de perfis excluídos na Alemanha não foi divulgado. Em abril, o Facebook revelou ter removido cerca de 30.000 perfis falsos na França em meio à corrida presidencial no país e, no mesmo mês, publicou um artigo descrevendo “operações de informação” que antecederam as eleições americanas e como o Facebook poderia ser utilizado para manipular a opinião pública. Neste mês, a empresa divulgou que irá ceder ao Congresso americano informações sobre três mil anúncios ligados a perfis russos que foram propagados nos Estados Unidos durante as eleições que colocaram Donald Trump no poder.

Trump x Facebook

Nesta quarta-feira, Trump se manifestou a respeito da rede social em sua conta no Twitter. “O Facebook sempre foi anti-Trump”, escreveu o presidente americano, que classificou da mesma forma os jornais New York Times e Washington Post, mas destacou que “o povo era Pro-Trump!”. “Praticamente nenhum presidente conquistou o que nós fizemos nos primeiros nove meses [de mandato]”, escreveu o chefe da Casa Branca.

A resposta de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, veio em mensagem postada horas depois da declaração de Trump. “Trump diz que somos contra ele. Os liberais dizem que ajudamos Trump. Ambos os lados estão aborrecidos por conta das ideias e dos conteúdos que eles não gostam. Isso é o que significa manter uma plataforma para todas as ideias”, escreveu.

No texto, Zuckrberg admitiu se arrepender de declarações dadas pouco após o término das eleições americanas. Em uma conferência em novembro, o executivo disse que era uma “ideia maluca” pensar que “as fake news disseminadas no Facebook influenciaram as eleições”. “Essa é uma questão muito importante para tratar de forma leviana”, refletiu.

União Europeia x Facebook

A Comissão Europeia, um dos braços políticos da União Europeia, anunciou nesta quinta-feira que cogita criar novas leis para impor punições ao Facebook, Twitter e outras empresas que disseminam conteúdo online, caso as companhia não ajam com maior eficiência para remover material ilegal da Internet, como comentários racistas ou posts violentos.

“A situação é insustentável: em mais de 28% dos casos, as plataformas online demoram mais de uma semana para remover conteúdo ilegal”, disse Mariya Gabrial, oficial da União Europeia encarregada de questões de economia digital e sociedade no bloco. O órgão não deu detalhes sobre quais punições pretende adotar caso as empresas mantenham a postura atual, mas novas leis podem vir à tona caso “as plataformas online não tomem ações mais rápidas nos próximos meses”.